O roteiro de um ano atribulado para a política londrinense não deve terminar sem um embate acirrado na eleição para o biênio 2019-2020 da Mesa Executiva da Câmara Municipal de Londrina. E ao contrário do que dizem alguns vereadores, o cenário nos bastidores pode não estar tão longe de uma definição.

De um lado a bancada do Partido Progressista do prefeito Marcelo Belinati, formada por Jamil Janene, Daniele Ziober, Aílton Nantes, Guilherme Belinati, o líder do prefeito no Legislativo, Jairo Tamura (PR), e o ex-líder de Belinati, Péricles Deliberador (PSC), deve acertar os detalhes em torno de nomes para uma chapa, que pode contar, ainda, com o voto de Estevão da Zona Sul (sem partido), constantemente assediado pelo PP. Questionado, Deliberador não disse se colocará o nome à disposição para o cargo de presidente. "Ainda não decidi, estou amadurecendo a ideia e vou pensar no começo de dezembro", afirmou.

Já Jamil Janene vem dizendo que não é candidato à presidência, embora tenha sido beneficiado por uma mudança no Regimento Interno da Câmara apresentada pela atual Mesa Executiva. Em agosto, o grupo formado por Nantes, Filipe Barros (PSL), Eduardo Tominaga (DEM) e João Martins (PSL) promulgou resolução que permite a participação nas eleições da Mesa de suplentes de vereadores - e Janene assumiu o cargo graças à renúncia de Fernando Madureira (PTB) para assumir a Fundação de Esportes e a nomeação de Tio Douglas (PTB) para a Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina). Mais tarde, Douglas voltou ao Legislativo com o afastamento de Rony Alves (PTB), e este é, também, o caso de Valdir dos Metalúrgicos (SD), suplente de Mário Takahashi (PV).

SITUAÇÃO ATÍPICA

Neste ano, o que torna a disputa dentre 19 vereadores para os cinco cargos da Mesa atípica é uma discussão em torno da situação do atual presidente, o vereador Aílton Nantes (PP), eleito vice em 2017. Ele ocupa o cargo desde o afastamento de Mario Takahashi (PV), réu na Operação ZR3 (Zona Residencial 3), e já absolvido da cassação do mandato na Casa ao lado do também afastado pela Justiça Rony Alves. Só que o Regimento Interno da Câmara proíbe "reeleições" em uma mesma legislatura.

"O Regimento diz que os membros da Mesa podem concorrer, mas não podem ser reconduzidos aos mesmos cargos, então estou fazendo uma consulta com a nossa Procuradoria se eu posso ou não ser candidato. Em cima desse parecer eu vou decidir", afirmou Nantes.

Questionado se gostaria de continuar no cargo, o vereador disse que sim e justificou que deseja finalizar alguns projetos, como a reforma do prédio do Poder Legislativo e uma Reforma Administrativa, mas "não precisa necessariamente ser como presidente, de repente em outro cargo", avaliou.

A reportagem entrou em contato com o Procurador Jurídico da Câmara, Miguel Aranega Garcia, mas como ainda não estão formadas as chapas ele preferiu não avaliar esta situação neste momento. Também procurado pela FOLHA, o prefeito Marcelo Belinati disse que não comenta assuntos de competência do Legislativo.

Oposição

Paralelamente, os vereadores mais independentes do Executivo devem centralizar uma chapa de oposição com Felipe Prochet (PSD) na presidência. À reportagem da FOLHA o vereador afirmou que tem interesse em concorrer. Com isso Prochet poderia contar com os votos do parceiro de PSD (Partido Social Democrata) na Casa, Júnior Santos Rosa, e de parlamentares como Vilson Bittencourt (PSB), Amauri Cardoso (PSDB) e Filipe Barros (PSL) que, mesmo eleito deputado federal participa da eleição, marcada para a última sessão deste ano. No lugar dele o suplente na coligação, Emanoel Gomes (PRB), assume em janeiro com poucos indícios de que será voz de oposição na Câmara.

Além disso, neste ano conturbado para a Câmara o grupo formado por João Martins, Ailton Nantes, Amauri Cardoso, Tio Douglas, Filipe Barros, José Roque Neto, Roberto Fú (PDT) e Valdir dos Metalúrgicos tenta "extinguir" a abstenção dentre as opções de voto dos vereadores. Um projeto de Resolução dá nova redação ao Regimento e justifica que "em uma democracia não há argumento para o Parlamentar, que é o representante da sociedade, e que é eleito para decidir em nome da sociedade, não querer por ela decidir", diz o projeto. Entretanto, esta possibilidade esbarrou na Comissão de Justiça, onde recebeu parecer contrário.

A formação de duas chapas deve ficar ainda mais clara nesta terça-feira (20), com a votação em primeira discussão do projeto de lei de iniciativa popular que pede a revogação da Planta Genérica de Valores aprovada no final de 2017. Como a pauta é de interesse da Prefeitura, a votação do PL deve deixar clara a divisão dos grupos na Casa.

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