Grupo critica reforma do Palácio Iguaçu
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A reforma do Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná, está sendo alvo de críticas de um grupo de arquitetos de Curitiba. O prédio deverá passar por uma recuperação estimada em R$ 20 milhões. Uma carta assinada por diversas entidades e profissionais da área será entregue hoje ao governador Roberto Requião (PMDB) e ao secretário de Obras Públicas, Júlio Araújo Filho, pedindo que sejam consideradas no projeto as sugestões do grupo.
''O edifício é a peça central do Centro Cívico, uma obra precursora do modernismo no Brasil'', defende o professor Orlando Pinto Ribeiro, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo e um dos profissionais que assinam o documento. Um dos principais pontos questionados pelo grupo é a colocação de vidros verdes na fachada. ''O prédio foi concebido da forma que está numa referência do arquiteto (David Xavier Azambuja) a transparência na gestão pública'', diz Ribeiro. Para o secretário de Obras, o questionamento é equivocado. ''Os vidros verdes fazem parte do projeto original e é uma das características previstas por Azambuja que queremos recuperar com a reforma'', afirma.
Outro ponto polêmico são as colunas que começam no térreo e seguem sem interrupção até o último andar do edifício. ''Esse é um aspecto muito marcante do prédio e que vai ser prejudicado com a alteração das lajes e a colocação dos vidros verdes'', aponta Ribeiro. Araújo rebate: ''Os vidros não irão ocultar as colunas e não haverá qualquer alteração estrutural no prédio''. Segundo o secretário, a substituição das esquadrias será realizada por conta da deterioração do prédio. ''Há problemas de infiltração nas janelas.'' O Palácio Iguaçu foi concluído em 1953.
Para Ribeiro, o que os arquitetos reivindicam é que a obra seja tratada como uma recuperação ''já que o edifício está em processo de tombamento''. ''Acho muito estranho esse questionamento às vésperas da licitação. Essas pessoas foram convidadas pela secretaria para opinar sobre o projeto e foram ouvidas'', defende Araújo. A licitação do projeto da reforma deverá acontecer no próximo dia 9. Além de Orlando Pinto Ribeiro, também assinam a carta João Suplicy Neto, Jeferson Dantas Navobar, Gustavo Pinto, Salvador Gnoatto e Josilena Gonçalves.


