'Grupão' de centro-direita articula candidatura à prefeitura
No total apurado pela FOLHA, oito nomes aparecem como possíveis candidatos a prefeito de Londrina na eleição de 2020
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de abril de 2019
No total apurado pela FOLHA, oito nomes aparecem como possíveis candidatos a prefeito de Londrina na eleição de 2020
Vitor Struck - Grupo Folha 

Faltando mais de um ano e meio para as próximas eleições, uma “eufórica” conversa de bastidores aponta para pelo menos oito possíveis candidatos a prefeito de Londrina. Enquanto isso, algumas lideranças locais já estão aproveitando a curiosidade para divulgar um cenário do que poderá se concretizar no período entre 20 de julho e 5 de agosto de 2020, quando da realização das conferências partidárias.
Segundo apurou a reportagem, um grupo que conta com o apoio das entidades do setor produtivo já está montado e deve se materializar em uma coligação formada por partidos como DEM, Podemos, PSL, Cidadania e o PSD, do governador Ratinho Junior. Com isso, a única dúvida seria qual candidatura o governador apoiaria.
Nos bastidores, o nome do vereador Felipe Prochet (PSD) aparece como alternativa para aproximar os interesses das entidades e do governo. Na última sexta-feira (5), o parlamentar reafirmou que nada está definido e, quando questionado sobre tentar a reeleição na Câmara, não descartou a possibilidade.
Também do mesmo grupo, o advogado André Trindade (Cidadania), terceiro lugar na última eleição municipal, afirmou que já colocou o nome à disposição do partido e deve concorrer em 2020 para “dar sequência ao trabalho”. Mesmo se candidatando pela primeira vez, Trindade recebeu 17.452 votos em 2016. Em seguida, dedicou-se a manter o nome em voga com a articulação do movimento “Abaixo IPTU” e até se candidatou a deputado estadual no ano passado. “A ideia é fortalecer o partido e ter candidatura própria”, disse.
Na lista de prefeituráveis aparecem ainda os nomes dos deputados federais Emerson Petriv, o Boca Aberta (PROS), e Filipe Barros (PSL), ambos campeões de votos em Londrina na eleição para a Câmara Federal ano passado, com 60.307 e 40.278 votos, respectivamente. Completam o rol de apostas o prefeito Marcelo Belinati (PP), o deputado estadual Tiago Amaral (PSB), e candidatos em 2016, como o médico Odarlone Orente (PT) e o empresário Valter Orsi (Podemos).
Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Cenci, Tiago Amaral aparece como o mais vinculado ao governo do Estado, o que o tornaria “muito importante para uma eventual reeleição de Ratinho Junior”. “Beto Richa agiu exatamente assim pensando na reeleição, afinal somos o segundo maior colégio eleitoral do Estado e não dá para perder aqui”, explicou.
Na abertura da ExpoLondrina, na última sexta, Amaral disse que é muito cedo para se falar em candidaturas, “mas não em projetos para a cidade”. O desafio seria melhorar o resultado nas urnas por aqui. Dentre os 79.455 votos que o elegeram no ano passado, apenas 8.026 foram conquistados em Londrina.
Boca Aberta, que também esteve no Parque Ney Braga, aproveitou para sinalizar positivamente a sua candidatura à Prefeitura. "Candidato a defender o povo londrinense", afirmou.
Um episódio que representa bem a forma de fazer política do parlamentar. “A estratégia de confrontação provoca aceitação, mas também rejeição e aí fica difícil de Boca Aberta chegar a 50,1%. Os que venceram sempre tiveram que cativar parte do eleitorado dos opositores. Não podemos esquecer que a campanha para deputado de Boca Aberta também amealhou votos da região”, avaliou Elve Cenci.
Polarização
Questionado se é possível esperar uma polarização entre o “populismo” de Boca Aberta e o “Bolsonarismo” de Filipe Barros, Cenci lembrou que a eleição municipal costuma ter agenda própria, descolada da agenda nacional, especialmente a do ano passado. "A eleição municipal costuma ter pautas próprias, relativizando a agenda de valores tão em voga desde a eleição presidencial", avaliou.
Para ele, uma possível campanha de Filipe Barros não poderia se resumir ao mesmo discurso que conquistou mais de 80% do eleitorado londrinense ano passado, com 230.473 votos em Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. “Suas ideias de extrema direita e a oposição ao PT ganharam espaço em uma eleição polarizada entre PSL e PT. Se o PT não tiver um candidato competitivo e se a eleição ocorrer entre candidatos de centro ou direita, a tendência é que a agenda conservadora tenha pouca importância. Não teria o oposto para marcar posição ou até mesmo poderia encontrar outros concorrentes defendendo ideias próximas”, disse.
Filipe Barros afirmou que agora está focado no mandato na Câmara Federal. "Claro que o futuro a Deus pertence, não descarto nenhuma possibilidade, mas neste momento estou focado 100% em trazer investimentos para Londrina conforme promessas minhas na campanha", pontuou.
No caso do PT, a candidatura mais provável é novamente o médico Odarlone Orente, escolhido por 4.646 eleitores naquela eleição. No entanto, a reportagem não conseguiu ouvir o petista.
Última hora
Para o professor Elve Cenci, a estrutura político-partidária de Londrina ainda é muito presa à de Curitiba, o que faz com que a agenda eleitoral seja, costumeiramente, “montada na última hora ao sabor da ocasião”, avalia.
“Na ausência de propostas robustas só resta tentar provocar estrago no adversário. Estudei as propostas que foram protocolizadas na última eleição pelos candidatos e, com uma exceção, todas as demais eram frases soltas. Temos uma enorme carência de um debate qualificado. O problema é que somos uma cidade com quase 600 mil habitantes e com problemas na mesma proporção”, lamenta.
Cenci lembra que a atuação da atual administração no restante deste mandato deve nortear o debate político do ano que vem, caso de temas como a Sercomtel e a previdência dos servidores, especialmente se não houver uma resolução. No entanto, um ponto recorrente e inevitável será o da geração de empregos por meio da atração de empresas.
“Transparência, visão global e bons assessores”, apontam lideranças
Para o vice-presidente do Sindimetal (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos) e da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Ary Sudan, o candidato deve acumular conhecimentos sobre gestão pública, visão de mundo, capacidade de formar uma boa equipe e boa comunicação. Ele classifica como fundamental para Londrina o perfil progressista. “Acreditar que o município só terá avanços se tiver uma economia forte e isso se dá com a presença da indústria e das atividades econômicas que geram riquezas de forma continuada”, afirma.
Ao falar pelos empresários, Sudan destaca, também, a coragem de levar adiante projetos que não são “simpáticos, mas necessários para o desenvolvimento da cidade” e a disposição para “quebrar paradigmas e destravar os órgãos municipais, facilitando a vida de quem produz”, diz.
“É importante que esteja aberto às novidades e aos avanços que as cidades vêm apresentando em várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Estamos passando por um momento de transformação e temos muitos bons exemplos a serem seguidos, mas é preciso ter abertura e colocar em prática essas experiências bem sucedidas”, avalia.
Mas sem jamais deixar de lado a transparência “para dar legitimidade às ações”, destaca o presidente do Observatório de Gestão Pública de Londrina, Roger Trigueiros.
“Agir dentro da legalidade para os atos serem fortes, planejamento para maior probabilidade de acerto, capacidade de articulação para agregar, humildade para ouvir e reconhecer-se como gestor temporário e não dono da administração municipal, sensibilidade necessária para perceber as mazelas sociais da cidade e impessoalidade para evitar privilégios e/ou desfavorecimentos”, completa.
Belinati: 'eleição é só o ano que vem'
Questionado sobre uma possível reeleição, Marcelo Belinati preferiu evitar dar brechas para os oponentes tentarem desgastar a candidatura. "Londrina vive o maior momento dos últimos 20 anos, é a prefeitura mais transparente do Brasil, contas públicas equilibradas, obras, grandes empresas voltaram a vir para Londrina, então nós estamos com foco absoluto na administração, eleição é só o ano que vem nós vamos pensar mais perto dela", afirma. A reportagem também ouviu o presidente do PP em Londrina, Bruno Ubiratan, que salientou a vontade do partido de que Belinati seja o candidato, no entanto "é algo que depende mais da vontade dele do que da nossa", diz.
Para o professor Elve Censi, Belinati precisaria "correr contra o tempo". "O efeito político da alteração nos valores do IPTU poderia ser atenuado com obras importantes que garantissem maior visibilidade. O problema é que boa parte dos valores foram destinados para o equilíbrio do caixa", pondera.
Outro nome é o empresário e ex-presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Valter Orsi. Candidato pela primeira vez a um cargo político em 2016, Orsi foi escolhido por 93.415 eleitores. Já em em 2018 foram 22.913 votos em campanha para deputado federal. À reportagem, Orsi afirmou que não poderia “descartar e possibilidade” mais para frente.
Para o cientista político, faltou o carisma “demonstrado, por exemplo, por (Alexandre) Kireeff na eleição anterior”, diz. “Transitar por outros segmentos é fundamental para chegar lá”, avalia.
A reportagem também conversou com o ex-prefeito mas ele afirmou que não existem chances dele se candidatar em 2020.


