Grito dos Excluídos poupa governo Lula
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domingo, 07 de setembro de 2003
Conrado Corsalette<br> Agência Estado 
Aparecida - O Grito dos Excluídos reuniu ontem em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), entre 7 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, e 20 mil, segundo os organizadores do evento, para protestar contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A manifestação, primeira do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não contou com protestos diretos à administração federal, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores.
Ao redor do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, local da manifestação, integrantes da Igreja Católica e de movimentos sociais colhiam assinaturas para a realização de um plebiscito sobre a Alca. O lema do Grito neste ano foi ''Tirem as Mãos... O Brasil é Nosso Chão''.
Colaboraram e participaram do evento o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, e o secretário de Mobilização do PT, Francisco Campos.
Cerca de 3 mil bandeirinha do PT foram distribuídas para o público. Após a concentração dos manifestantes ao redor de um palco montado do lado de fora da Basílica, o cardeal-arcebispo de Aparecida, d. Aloísio Lorscheider, rezou a missa de celebração do Grito. Aos manifestantes, juntaram-se os romeiros que, semanalmente, lotam a Basílica. Ao todo, segundo assessores do Santuário, passaram pelo local cerca de 120 mil pessoas.
No folheto da missa, críticas ao desemprego e ao capitalismo. ''Perdão, Senhor, pelo desemprego que agride as famílias brasileiras; ele é fruto da falta de políticas geradoras de trabalho e renda e promoção da vida'', dizia a ministra da eucaristia. ''Nós, cristãos, não podemos reproduzir os valores capitalistas que dividem homens e mulheres em classes sociais.'' O plebiscito sobre a Alca também foi citado na celebração.
Em folhetos distribuídos por padres e integrantes de pastorais da Igreja Católica, havia um ''alerta'' contra as ''atitudes autoritárias e de insensibilidade social de governos populares, ditos de esquerda''.
Não havia referência direta a Lula, mas a Prefeitura de São Paulo não escapou: a falta de políticas de ''educação e saúde são deixadas à margem e criam frustração frente aos programas de governo propostos na eleição'', dizia um dos folhetos.
Integrante da marcha que saiu dia 31 da capital paulista e seguiu a pé até Aparecida, Oswaldo Nascimento, de 54 anos, afirmou que o esforço valeu à pena. ''Tem muita gente excluída; então, é importante alertarmos os governantes'', disse, após a missa. Já Maria Mirtes dos Santos, de 68 anos, que foi ontem de São Paulo a Aparecida, de ônibus, com a filha e três netas, por causa da devoção a Nossa Senhora. Ela ignorava a manifestação do Grito. ''Não sei o que é isso não.''


