Gritaria não constrói, reclama FHC
Presidente dá recado às marchas, admite que não está tudo uma maravilha, mas aponta que sociedade só avança com projetos
Arquivo FolhaCOMO FAZERFernando Henrique: Trabalho é difícil, mas para que tudo funcione é preciso articulação entre governo e sociedade, mobilização com aqueles que se preocupam com a fome no Brasil
Hugo Marques e Isabel Braga
Agência Estado de Brasília
Numa referência às marchas que estão sendo promovidas pelos sem-terra, sindicatos e movimentos sociais, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que não é na gritaria que se constrói uma sociedade democrática e se desenvolve o País, mas com os projetos silenciosos que o governo vem desenvolvendo. A crítica foi feita em cerimônia de anúncio de medidas para beneficiar os assentamentos da reforma agrária e pequenos agricultores, reivindicadas pela Marcha Popular pelo Brasil, que chega hoje a Brasília.
Durante a solenidade, na qual foi instalado o Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural (CNDR), o presidente afirmou ainda que, a despeito de todos os que se negam a ver, o governo está mudando, fundamentalmente, a vida dos mais pobres. Fernando Henrique citou os R$ 3,4 bilhões destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) este ano, o aumento de salários de professores que o Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) permitiu, além da descentralização de recursos do Programa de Assistência Básica (PAB).
Está tudo uma maravilha?, indagou o presidente. Não, não está uma maravilha, respondeu. Fernando Henrique argumentou que é muito difícil chegar ao mais pobre, o que torna o trabalho silencioso do governo, muitas vezes difícil, penoso. Para que os programas funcionem, cobrou o presidente, é preciso articulação entre governo e sociedade, mobilização com aqueles que se preocupam com a fome no Brasil, articulação com a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), com sindicatos, com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.





