Curitiba - Um grupo de deputados e funcionários da Assembleia Legislativa está se mobilizando contra a continuidade das sessões plenárias devido à pandemia de gripe A (H1N1). Embora o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), tenha afirmado anteontem que está ''fora de cogitação'' o cancelamento das reuniões, o grupo pressiona para que a possibilidade seja discutida internamente. A Reportagem apurou, contudo, que parte dos parlamentares se preocupa com a reação pública caso a medida seja adotada. E não são todos que assumem publicamente o desejo de faltar às sessões plenárias por conta da gripe A.
''Estou extremamente preocupado, mas o problema é que estou com medo de não ser compreendido pela sociedade'', admitiu ontem o líder da oposição, Élio Rusch (DEM). Segundo Augustinho Zucchi (PDT), funcionários querem voltar antes para casa. As sessões ocorrem de segunda à quarta-feira, a partir das 14h30, e às quintas-feiras no período da manhã. As três galerias da Casa, em torno do plenário, já foram fechadas para reduzir o número de pessoas no local.
Até agora, dois encontros políticos já foram cancelados devido à gripe A. Rusch afirmou que um encontro regional do DEM, que seria realizado no próximo dia 14 em Cascavel, foi adiado. O diretório estadual do PSDB também divulgou ontem um comunicado no qual informa que o encontro estadual da sigla, marcado para o dia 12, em Curitiba, foi adiado.
Desde segunda-feira, quando a Assembleia voltou de um recesso de quase 15 dias, a Casa enfrenta problemas de quórum nas sessões plenárias. A votação de um requerimento da oposição, cobrando informações sobre a área de segurança pública, foi adiada três vezes. Segunda, terça e ontem não havia número suficiente para a análise do requerimento, que é feita via registro de votos no painel eletrônico. Já a relação de projetos de lei foi votada normalmente, já que se faz uma apuração simbólica dos votos.
Além da preocupação interna, os parlamentares cobram esclarecimentos do governo do Estado sobre a estrutura de saúde para atender os pacientes com suspeita de gripe A. ''Os governos federal e estadual saíram tarde. Há falta de leito e de UTI'', criticou Rusch. O líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), informou que, na próxima segunda-feira, o secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin, vai até a Assembleia conversar com os parlamentares.
O deputado Antonio Belinati (PP) também aproveitou o gancho para apresentar um projeto que estabelece a obrigatoriedade da instalação de equipamentos com álcool gel em prédios públicos e privados e em locais de grandes aglomerações. No texto de justificativa da proposta, Belinati escreve que o produto é ''relativamente barato'', além de ''bom e necessário também quando não haja epidemias ou pandemias''.

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