A Câmara de Vereadores de Londrina deve ser palco das próximas manifestações dos servidores em greve da Prefeitura. Se os edis têm se pronunciado sobre o movimento durante o grande expediente das sessões, a idéia é agora ouvir in loco o que eles têm a dizer, para cobrá-los depois.
O posicionamento foi aprovado ontem na assembléia da categoria, em frente ao prédio da Prefeitura. Os grevistas avaliaram os 72 dias de paralisação e votaram pela realização de dois encontros semanais, às terças e quintas-feiras à tarde, coincidindo com as sessões ordinárias (às 14 horas) no Legislativo municipal. Eles se reúnem em assembléia pouco antes, às 13 horas.
De acordo com o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, de agora em diante os servidores cobrarão dos parlamentares um posicionamento sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) de 2004, aprovado pelos próprios vereadores, sob protesto do funcionalismo.
''A Câmara é corresponsável por medidas que geraram distorções - afinal, uma minoria recebeu gratificações de até 100% no salário, com o PCCS, quando a maior parte da categoria recebeu zero de reposição'', comentou. O dirigente citou ainda projetos aprovados do Executivo que criaram, por exemplo, cargos comissionados e abono a setores localizados.
Questionado sobre o motivo de só agora os grevistas ocuparem de vez as galerias - em 73 dias de greve, isso só ocorreu em pelo menos duas oportunidades -, o presidente do Urbaneja, justificou: a meta é acompanhar de perto as informações de dentro e fora do Plenário. ''Sabemos que vários deles se manifestam sobre a greve com as galerias vazias, queremos ouvir como isso acontece com as galerias cheias'' avisou. Até então, apenas diretores do sindicato vinham marcando presença por ali.
Também na próxima semana, a Casa deve votar o parecer do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) que recomenda a desaprovação das contas de 2000 - dos ex-prefeitos Antonio Casemiro Belinati (PP) e Jorge Scaff (PSB). Urbaneja, no entanto, nega que a intenção de ocupar o local nesses mesmos dias tenha alguma conotação política. ''Essa preocupação foi levantada na assembléia. Votamos e, com apenas uma abstenção, ficou decidido que no dia em que esse assunto for a votação, nós não estaremos lá'', garantiu. (J.G.)

mockup