Grevistas reclamam de pressões na Educação
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quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Os servidores municipais de Londrina realizaram ontem a segunda assembléia desde o início do movimento, no último dia 8. Cerca de 500 servidores se concentraram durante a manhã em frente ao prédio da Prefeitura, mas nenhuma proposta foi votada - reflexo até da falta de diálogo entre o Executivo e o sindicato que representa a categoria, o Sindserv. Se foi morno na apresentação de novidades ao funcionalismo, por outro lado o evento foi recheado de relatos denunciando supostas ''perseguições'' contra grevistas da Educação.
Segundo diretores e professores ouvidos pela reportagem, têm sido comuns, desde o início da greve, orientações da Secretaria Municipal de Educação para que as escolas repassem diariamente as listas com os nomes dos profissionais que aderiram ao movimento. A Secretaria ainda teria enviado às unidades o recado de que haveria ''consequências'' pelos dias parados. A situação foi relatada durante a assembléia por servidores de escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
Uma professora, que não quis se identificar, afirmou que há manipulação dos números por parte da administração, a qual vem afirmando, desde semana passada, que há 100% de funcionamento na rede de ensino. ''Não há. Dos 256 alunos que atendemos, têm ido com frequência cerca de 30. E dos 44 professores, só oito, nos dois períodos, não aderiram à greve. Resultado; ficam pressionando para a gente dizer, por escrito, quem é grevista'', garantiu a fonte.
Segundo o diretor do Caic Zona Sul, Amauri Cardoso, a cobrança pela lista vem da Secretaria, ''todos os dias, por telefone''. ''Eles nos pedem, e junto a isso garantem que quem aderir vai arcar com as consequências, ou o desconto dos dias parados, pois vão anotar no boletim de frequência como 'falta injustificada'. Isso atrasa um mês a aposentadoria ou a licença-prêmio, por exemplo'', declarou Cardoso.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, explicou que, a menos que o prefeito seja localizado pela Câmara para reunião pretendida pela Casa, entre as partes, a categoria realiza neste sábado de manhã um ato de panfletagem. Será no Calçadão da Avenida Paraná. Também do Calçadão, na manhã da próxima quinta-feira, sairá uma passeata que terminará na prefeitura. A idéia é ''sensibilizar a administração'' para a negociação de algum percentual de reposição - segundo o Sindserv, acumulada hoje em 27,53%.
A Folha tentou contato ontem com o prefeito Nedson Micheleti (PT), mas ele não foi localizado. O presidente da comissão de Trabalho da Câmara, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), também não havia contactado o chefe do Executivo para a reunião que o Legislativo quer marcar entre sindicato e Prefeitura. ''Mas estou otimista. Falei com o secretário Adalberto (Pereira da Silva, de Governo), segundo qual o prefeito estava em reunião. Mas tenho certeza que a reunião sai'', calculou o petebista.
Sobre as supostas pressões da Educação, a Folha ligou diversas vezes para a secretária Carmem Baccaro Sposti, que não atendeu os telefonemas da reportagem. A assessoria do prefeito informou que ainda não há uma posição sobre desconto ou não dos dias parados.


