Grevistas prometem parar hoje 50% da maternidade
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domingo, 13 de março de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A greve dos servidores públicos municipais de Londrina entra hoje na segunda semana com a ameaça de ''fechar o cerco'' contra a administração do prefeito Nedson Micheleti (PT). De acordo com Marcelo Urbaneja, presidente do sindicato que representa a categoria, o Sindserv, o alvo da paralisação a partir de hoje é a Maternidade Municipal, que passa a operar em escala reduzida de 50%. Até ontem, no setor de sa© úde, a entidade era a única a manter os 100% de atendimento à população. Unidades como postos 16 e 24 horas e os Pronto Atendimentos Infantil (PAI) e Municipal (PAM) têm trabalhado com o mínimo de 30% exigido por lei.
Cumprindo o prometido na sexta passada, ontem de manhã um grupo de servidores organizou um ''protesto pacífico'' para o prefeito durante as finais do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia. Com gritos de palavras de ordem dentro e fora do evento, alguns deles acompanharam Nedson até seu carro no momento em que ele deixava o local. Antes, no decorrer de um dos jogos, um servidor chegou a jogar uma camiseta nas costas de Nedson, que não parecia nada à vontade com a situação.
O presidente do Sindserv argumentou que a movimentação na arena foi ''pacífica''. De acordo com Urbaneja, o objetivo era mostrar à população que os grevistas podem estar em qualquer lugar''. A respeito da camiseta jogada contra Nedson, ele minimizou o ocorrido ao negar que tenha tido caráter agressivo. ''Jogaram para que ele vestisse a peça, já que ninguém consegue falar mesmo com o prefeito'', ironizou. ''Seria violento se jogássemos ovos ou tomates. A única agressão hoje parte da administração'', complementou, referindo-se ao impasse que segue nas negociações.
Os servidores reivindicam 21% de reposição salarial referentes ao primeiro mandato de Nedson. Por outro lado, a administração alega ter pago de 27% a 31% da inflação de 35% acumulada no período. O Sindserv contesta esses números.
Para esta semana, segundo o sindicalista, mais quatro escolas devem parar as atividades entre as quais a Carlos Zewe Coimbra, no Jardim Marabá (Zona Leste). Hoje, uma nova assembléia na Praça dos Três Poderes, às 11 horas, avalia os novos rumos do movimento. ''Estamos nos preparando para uma greve longa'', finalizou Urbaneja.
A Folha tentou ouvir o prefeito sobre o incidente da manhã, mas ele não foi localizado. A assessoria de imprensa informou que ''a atitude de uns poucos servidores demonstra o desrespeito e o radicalismo à autoridade do prefeito, o que só dificulta cada vez mais o diálogo''. Na Maternidade Municipal, uma funcionária disse que o Sindserv enviou uma circular de escala reduzida que vigoraria desde as 19 horas de ontem, mas com índice de 70% a 80% de funcionários na ativa. Sobre o clima no hospital, ela comentou que não há uma unanimidade em relação à greve. ''O pessoal está bem dividido, é complicado trabalhar assim'', avaliou.


