Grevistas lamentam e criticam Câmara
Apesar da decisão ficar para a assembléia de hoje, ontem mesmo servidores municipais de pelo menos três áreas já demonstravam desânimo em prosseguir com a greve após o aumento da multa para o sindicato.
O clima de decepção, contudo, veio pontuado também por uma avalanche de críticas à Câmara dos Vereadores. Por diversas vezes, grevistas leram ao microfone os nomes dos 10 parlamentares que, na sessão de anteontem, votaram contra um requerimento que poderia abrir precedente para processo de infração político-administrativa (entre as quais, a cassação) contra o prefeito Nedson Micheleti (PT). O documento estabelecia prazo máximo de 48 horas ao Executivo para informar se a comissão permanente de negociação - prevista no Estatuto do Servidor Municipal - havia sido composta, e, caso não, fosse formalizada em dois dias.
Sob forte vaia e gritos de protesto, a base aliada rejeitou votação nominal e, em seguida, o requerimento. Cinco edis votaram favoravelmente à proposta. ''Vamos lembrar bem desses nomes em 2008 (ano de eleição municipal)'', sugeriu uma servidora aos colegas. ''Chega de oportunismo'', bradou outra, da Saúde.
Para a auxiliar de enfermagem Nilzete dos Santos, 40, a duplicação da multa afetou a paralisação, mas não deve alterar eventual estado de greve. ''Infelizmente, depois de tudo, nunca mais vamos nos esquecer dessa Câmara de Vereadores'', resumiu. Do setor de Obras, o auxiliar de maquinário Valdecir Neves, 45, confessou que os colegas em greve ''se assustaram com a nova multa'' e admitiu: ''Se a Saúde voltar (aos trabalhos), enfraquece a greve''. Hoje, depois da assembléia, os servidores prometem novamente ocupar as galerias do Legislativo. (J.G.)





