Na assembléia que iniciou a greve na Prefeitura, anteontem, sindicalistas e outros integrantes do comando de greve eram enfáticos em garantir: não haverá piquetes nem coação a quem não aderisse ao movimento. O que se viu ontem à tarde, porém, não correspondeu ao que fora anunciado, pelo menos na Unidade Básica de Saúde (UBS) do conjunto Maria Cecília, na Zona Norte de Londrina.
A reportagem esteve no local por volta de 15h30, no momento em que pacientes saíam desolados e revoltados com o fechamento do posto. Minutos antes funcionários da unidade relataram que foram obrigados a parar o atendimento porque grevistas haviam trancado o acesso. ''Todo mundo trabalhou só até essa hora porque três pessoas do comando de greve simplesmente chegaram, colocaram cadeados e fecharam a unidade. Tudo bem que fizeram uma reunião com os funcionários que não aderiram à greve, mas entendo que essas ações não respeitam a vontade de quem é contrário ao movimento'', analisou a gerente da UBS, Elizabeth Chibayama.
De acordo com a gerente, no primeiro dia de greve aproximadamente 20 dos mais de 100 servidores do posto trabalharam. Ontem, foram apenas seis na ativa. Uma participante do comando de greve no local, Patrícia Alves de Oliveira, eximiu-se: ''Os próprios funcionários acharam bom entrar em greve, ninguém os impediu de nada''.
Pacientes que procuraram atendimento reclamaram da paralisação, muitos deles pela falta de remédios contra doenças crônicas. ''Vim aqui pegar receita pois meu neto está com congestão e não temos condições de comprar remédio, mas stá tudo trancado'', reclamou a dona-de-casa Dolores Pereira Silva, 48. O carreteiro Cícero Garcia, 54, disse que teve de ir embora da UBS sem os remédios para problemas de coração e pressão alta da esposa. A dona-de-casa Estrelina Soares Monteiro, 69, lamentou ficar sem o medicamento para pressão que tem de tomar duas vezes ao dia. ''Fico triste com isso porque a gente não tem culpa'', disse.
Questionado sobre a posição do comando no episódio, o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, afirmou desconhecer o caso. ''Tenho que verificar, pois não tenho essa informação'', comentou, negando a possibilidade de haver percentual mínimo de atendimento nas unidades de Saúde. ''A lei não fala em percentuais mínimos de atendimento, apenas que o mínimo emergencial deva ser tirado de comum acordo. Notificamos a Prefeitura da greve, mas ela não nos respondeu'', concluiu.
Além da UBS da Zona Norte, o segundo dia da paralisação ainda foi marcado por uma verdadeira guerra de números entre sindicato e Executivo. Em notícias à imprensa, a administração garantiu ''100% das escolas'' em funcionamento, com menos de 30 professores em greve. Também oficialmente, postos 16 e 24 horas, além do Pronto Atendimento Municipal (PAM), teriam trabalhado normalmente. Na avaliação do Sindserv, das 51 UBSs, 36 fecharam; das 77 escolas, três não teriam aderido. Já quatro dos 11 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) teriam fechado. (J.G.)

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