Um grupo de grevistas da rede municipal de Educação fez um protesto diferente, ontem de manhã, em frente ao prédio onde mora o prefeito Nedson Micheleti (PT), no Centro de Londrina. Se dentro do primeiro mês da greve que completa hoje 74 dias o local foi usado para uma manifestação com caminhão de som e palavras de ordem, ontem, o número reduzido optou por fazer um café da manhã entre si e para as pessoas que passavam a pé ou de carro.
Apesar de chegarem bem cedo - por volta das 6h30 - à entrada do prédio, os servidores não cruzaram com o prefeito. Até perto das 9 horas, quando deixaram o ponto, montaram uma espécie de quiosque em frente à calçada. A partir da estrutura, distribuíram bolo, suco e café. O evento ainda teve direito a uma aula de alongamento comandada por um professor de Educação Física; na sequência, uma servidora tentou entregar um vaso de flores ao prefeito, mas ele acabou repassado ao porteiro do edifício para ser entregue depois ao destinatário.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv), Marcelo Urbaneja, a proposta foi ''sensibilizar o prefeito, de forma pacífica'', a abrir um canal de negociação até agora recusado pela administração. ''As pessoas públicas têm que ser cobradas, precisamos desses instrumentos de pressão para que, uma hora, ele entenda nosso ponto de vista'', argumentou.
Segundo Urbaneja, mais tentativas de abordagem a Nedson devem acontecer, nos próximos dias e ''em caravanas'', até que o chefe do Executivo aceite negociar o fim da paralisação.
Nedson se manifestou sobre a manifestação por meio de nota divulgada no site da Prefeitura. Intitulado ''Sindserv e grevistas extrapolam o bom senso'', o material informou que o prefeito lamentava a atitude dos grevistas, uma vez que ela seria hostil, ''grosseira e irresponsável'' e sem efeito prático para solucionar o fim do movimento. ''Meus filhos e meus vizinhos devem ser respeitados. É lamentável que o Sindserv e os grevistas novamente tentem partir para a hostilização'', destacou Nedson, na nota.
O café da manhã foi relacionado na nota oficial ao episódio ocorrido em frente a um hotel da região central, mês passado. Na ocasião, Nedson deixara o local em meio a um grupo de servidores grevistas que tentava forçar, ali, uma negociação. Houve tumulto.

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