Grevistas da prefeitura mantêm mobilização
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sexta-feira, 27 de outubro de 2006
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Cerca de 120 servidores municipais fizeram passeata ontem nas proximidades da prefeitura de Londrina, com o objetivo de mostrar que a greve continua firme mesmo após duas decisões desfavoráveis do Tribunal de Justiça. A primeira determinou a reabertura das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a outra, emitida na última quinta-feira, permitiu o desconto de dias parados.
Os grevistas que se reuniram logo cedo em frente à prefeitura ficaram divididos quanto à realização da caminhada. Alguns diziam temer que, ao deixar o local, o prédio fosse ''invadido'' por funcionários contrários à paralisação. Outros reclamaram que o número de manifestantes encolheu.
No final, puxados pelo presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, eles decidiram fazer uma volta simbólica no Centro Cívico e levar a passeata até os quarteirões mais próximos. O trânsito na Avenida Duque de Caxias foi interrompido por alguns minutos.
Por volta das 10h30, o grupo foi até o Ginásio de Esportes Moringão, no Centro, onde servidores que não aderiram à greve se reuniram para discutir formas de voltar a ter acesso ao prédio da prefeitura - bloqueado por um piquete desde o início da greve, há 82 dias. A reunião, realizada nas arquibancadas do Moringão, foi interrompida com estardalhaço. O grupo anti-greve - cerca de 60 pessoas - se dispersou, restando em torno de 10 representantes que terminaram a reunião em uma sala na Fundação de Esportes. Um policial militar foi chamado, mas não precisou intervir.
Segundo Carlos Eduardo Burkle, servidor da Secretaria Municipal de Fazenda que participou da reunião, o grupo não contesta o direito de reivindicação dos colegas, mas ''entende que esse não seria o caminho''. ''Nossa preocupação é que tarefas que eram feitas no prédio da prefeitura estão sendo executadas em locais impróprios, o que afeta questões como a licitação de medicamentos e a arrecadação de impostos'', argumentou. Ele apontou que servidores estariam ''consumindo recursos próprios para desempenhar suas funções'', como veículos e telefones.
Burkle afirmou que não foi possível chegar a uma definição sobre como driblar o piquete na prefeitura porque a reunião foi inviabilizada pelos grevistas. ''O encontro foi entrecortado pela presença autoritária do sindicato. Nosso direito de nos reunir não foi respeitado'', criticou. ''Nós não estamos tomando lado nenhum. Só queremos o retorno à dignidade para trabalhar'', concluiu.
O presidente do Sindserv recomendou aos grevistas que ''fiquem tranquilos'' e ''não se aflijam'' com as últimas decisões judiciais.


