Grevistas da Prefeitura buscam adesão de professores
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quarta-feira, 20 de setembro de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Setor que arregimentou a força-motriz da greve de 2005 no funcionalismo público de Londrina, a Educação municipal concentra agora boa parte dos esforços dentro do atual movimento como forma de garantir fôlego para prolongar a paralisação de servidores. A greve iniciada em agosto contra a defasagem salarial de 27,53% completa hoje um mês e meio sem qualquer sinal de negociação entre a Prefeitura e o sindicato que representa a categoria, o Sindserv.
Ontem de manhã, apesar da forte chuva, cerca de 850 servidores compareceram à assembléia geral realizada em frente à Prefeitura para avaliação dos rumos da paralisação. Para se proteger da água e da ventania, eles se amontoaram debaixo das marquises do prédio. A preocupação nos discursos de sindicalistas e funcionários ficou por conta da convocação aos professores para aderir à greve, a fim de fortalecê-la.
A maioria dos participantes era justamente de servidores da Educação, entre professores do Ensino Fundamental e de Centros de Educação Infantil (CMEIs). Pelos cálculos do Sindserv, só ontem houve adesão total de quase 60% das unidades. Nos distritos rurais, 100% teriam aderido à paralisação de um dia.
''Se um professor deixa o posto, são 40 crianças que ficam sem atendimento; CMEI, são pelo menos 15 alunos afetados a cada professor parado. Ou seja: como a greve no setor afeta todo mundo, precisamos que essa influência venha somar forças a nós'', pediu o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, no palco armado em um caminhão de som.
Durante a conversa com o funcionalismo, Urbaneja tentou afastar o receio de muitos sobre a adesão ao movimento e uma possível obrigatoriedade na reposição de aulas. ''O professor não é obrigado, ele repõe as aulas se quiser, e, ainda assim, ganhando hora-extra para isso. Ninguém trabalha de graça, isso é uma ilusão'', defendeu.
A professora Crêuza Battara, de 60 anos, com a mão engessada, voltou a acusar supostos seguranças do prefeito Nedson Micheleti (PT) de a terem agredido durante manifestação promovida pelos grevistas, sexta passada, em frente a um hotel do Centro. O assunto rendeu outra série de críticas ao prefeito, o qual, segundo o Sindserv, teria usado só naquela ocasião 17 seguranças vindos de dois em dois ao local. ''Ano passado nos acusaram de usar seguranças, e agora eles é que usam? Um dos rapazes, inclusive, é de uma academia de artes marciais próxima ali do hotel'', enfatizou Urbaneja.
A assessoria de imprensa do Executivo nega que Nedson ande com seguranças, sem entrar em mais detalhes sobre a ação de sexta-feira. Ações que, conforme o sindicato, devem prosseguir até que a administração concorde em negociar um índice de reposição.
No sábado, os grevistas se concentram no Calçadão da Avenida Paraná para nova manifestação. No domingo, eles percorrerão a feira livre da Avenida Saul Elkind, na Zona Norte da cidade.


