O terceiro dia de greve no funcionalismo público municipal em Londrina foi novamente marcado pela divergência de números entre a Prefeitura e o sindicato que representa a categoria, o Sindserv. Mais uma vez, também, ocorreram situações de uso de cadeados por membros do comando de greve em prédios públicos - situação verificada no posto de aúde Maria Cecília (Zona Norte), anteontem, e ontem à tarde na Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml, na Zona Sul).
''Atendidos'' por um grupo de quatro membros do comando de greve, usuários da Caapsml só puderam ter acesso aos serviços de emissão de guia, aos dois ambulatórios (médico e de fisiotearapia) e à tesouraria. Do lado de dentro, diretores e funcionários reclamavam que os grevistas puseram cadeados no portão de acesso aos veículos dos funcionários. Do lado de fora, os grevistas admitiam a adoação da medida, com o atenuante de que ''pelo menos'' o estacionamento dos usuários estava acessível aos servidores.
De acordo com o diretor de Saúde da Caapsml, João Carlos Barbosa Perez, ontem pelo menos 95% dos funcionários haviam aderido à greve. O temor, afirma, é de que nessas condições o atendimento aos 8.577 usuários (entre os próprios servidores e seus familiares) tenha de ser suspenso.
''(Os grevistas) não deveriam fazer triagem na porta, e estão fazendo. Por outro lado, há lei federal afirmando que não se deve, em greve, barrar a entrada de quem quer trabalhar. Aqui, hoje (ontem), fecharam a entrada e negaram certas entradas de funcionários'', declarou o diretor.
Membro do comando de greve, Ana Cristina Giordano negou que o grupo estivesse triando pacientes. ''Estamos apenas orientando essas pessoas. Como o prédio não está aberto, é preciso fazer essa verificação'', atestou.
Pelos números do Executivo, abriram ontem 18 das 54 unidades que compõem a rede básica de saúde. Segundo Sindserv, foram 34 postos fechados, e oito funcionando parcialmente. Já na Educação, o sindicato anunciou que três escolas aderiram ao movimento; a administração fala em 100% de funcionamento da rede.
Também ontem, o Ministério Público do Trabalho tentou notificar o prefeito Nedson Micheleti e o Sindserrv para uma reunião na próxima terça-feira à tarde, a fim de de tentar um acordo entre as partes. O sindicato comemorou a iniciativa, enquanto Nedson, por meio da assessoria, anunciou não ter sido notificado oficialmente. Mesmo assim, o prefeito adianta: não considera que o MP do Trabalho tenha ''competência legal para atuar nessa situação. Não é da alçada deles''.

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