Grevistas 'aceleram' sessão da Câmara
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quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Os servidores grevistas nem bem acabaram de encher a segunda galeria da Câmara de Vereadores, ontem à tarde, e os parlamentares encerram a ordem do dia apenas 15 minutos depois de começá-la. Foi uma das sessões mais pontuais e rápidas do ano, e - apesar dos gritos de 'vendido' disparados a membros da base aliada ao Executivo - bem mais tranquila que a de terça-feira passada. Na ocasião, funcionários em greve fizeram uma manifestação contra 11 edis contrários a um requerimento que exigia da Prefeitura a formação de uma comissão permanente de negociação. Até policiamento foi então solicitado.
A participação dos grevistas na Câmara deve acontecer novamente na sessão de amanhã. Ontem, a ida ao prédio fora decidida durante a assembléia em frente ao prédio da Prefeitura: a reunião foi suspensa até as 15h para acompanhar o trabalho dos vereadores.
O alvo preferido das galerias foi o presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL), juntamente com o petista Gláudio Lima, ex-presidente do Sindserv e ex-secretário municipal de Gestão Pública, no primeiro mandato do prefeito Nedson Micheleti (PT).
Bonilha negou que a rapidez normalmente incomum do andamento da pauta tivesse alguma relação com a chegada dos grevistas. Sobre a manifestação, conjecturou: ''Esta é uma casa política; eles (servidores) não podem se manifestar de forma política. A reivindicação, que era salarial, já perdeu essa conotação'', avaliou.
Questionado pela imprensa, o vereador confirmou que membros da base aliada tiveram uma reunião com o prefeito para tratar da greve, anteontem - especialmente porque é na Câmara que a pressão mais forte vem sendo exercida pelo movimento nas últimas semanas. ''Ele (Nedson) nos disse que aguardaria os resultados da Justiça, mas mostramos que, do jeito que está, a base de apoio tem sofrido um desgaste pelas ações do Sindserv. Por isso, a reunião'', admitiu, para complementar: a cobrança desandou ''depois que o Plenário decidiu reprovar as contas (de 2000) do (ex-prefeito Antonio) Belinati. Aí, o sindicato fez essa retaliação'', reclamou.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, analisou a declaração de Bonilha como uma ''maneira de tentar desviar o foco da verdade''. O dirigente citou estudo da Controladoria do Legislativo - o qual apontou crescimento de quase 28% com gastos pontuais com pessoal, desde 20005 - e rebateu: ''Existe um crime moral em Londrina, e infelizmente os vereadores são cúmplices''.


