Greve geral paralisa hoje Sul do Peru
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Agência EFE 
Lima Os departamentos (estados) peruanos de Puno, Tacna, Moquegua e Cuzco, todos ao sul dos Andes, fazem hoje uma greve geral de 24 horas em solidariedade com Arequipa, a segunda cidade do país, conturbada desde sexta-feira passada por violentos protestos contra as privatizações de empresas estatais. A medida de protesto, que rejeita além disso a declaração de estado de emergência e o controle militar decretado desde domingo em Arequipa, foi acatada de maneira quase unânime nos quatro departamentos com manifestações, bloqueios de estradas e enfrentamentos com a polícia.
Na cidade de Juliaca, Puno, as ruas foram tomadas pelos manifestantes e um grupo tentou chegar até o aeroporto internacional, mas foi repelido por mais de cem policiais e militares do Exército que se posicionaram na região. Em Tacna, cidade fronteiriça com o Chile, aconteceram enfrentamentos entre manifestantes e policiais na estrada Pan-Americana Sul, que foi bloqueada em alguns trechos.
Moquegua, por sua vez, ficou com as ruas vazias, sem transporte público e com as aulas suspensas em colégios e universidades, enquanto grupos de manifestantes foram se concentrando nas praças para fazer comícios. Os moqueguanos exigem também ao governo que cumpra as promessas de reconstruir a cidade, depois do terremoto que em junho do ano passado causou cerca de cem mortos no sul do país.
Viagem adiada á Em Cuzco, aconteceram novas mobilizações pelas áreas centrais da cidade e grupos de estudantes universitários queimaram pneus e entraram em atrito com a polícia. Os protestos que começaram na sexta-feira passada em Arequipa fizeram um morto, mais de 150 feridos e causaram prejuízos superiores a US$ 100 milhões e obrigaram o presidente Alejandro Toledo a cancelar uma viagem que faria à Nicarágua e aos Estados Unidos.
Enquanto isso, uma comissão de alto nível nomeada pelo executivo negocia desde terça-feira com os líderes do protesto em Arequipa uma solução para o conflito, que ameaça a estabilidade em toda a região sul peruana, e é apoiada, além disso, por dirigentes de outras regiões, como a amazônica Iquitos e a nortista Chimbote.


