O início da segunda semana de paralisação dos servidores públicos municipais de Londrina trouxe prejuízos aos principais hospitais da cidade. Com a greve atingindo em cheio unidades básicas de saúde (UBSs) e reduzindo escalas nos pronto atendimentos Municipal (PAM) e Infantil (PAI), já há pronto-socorros (PSs) com as atividades suspensas em função da superlotação.
Desde o fim de semana, o palco da situação mais alarmante era o Hospital Universitário (HU), cujos PSs Médico e Ortopédico ficaram o dia todo fechados para a entrada de novos pacientes. Segundo a assessoria de imprensa do HU, de domingo para segunda houve um acréscimo de 71% no número de atendidos, ou de 20% na comparação com o domingo anterior ao início da greve. O PS Ortopédico permaneceria suspenso ontem até as 19 horas, enquanto o PS Médico avaliaria às 9 horas de hoje se reabriria ou não ao público.
No Hospital Zona Sul (HZS), o diretor clínico Ronaldo Paiva informou que houve um acréscimo na demanda de 40% a 50% sobre a média diária de 160 atendimentos. De acordo com ele, a crise maior aconteceu na primeira semana da greve, o que não tem impedido, contudo, que o impacto seja grande no atendimento primário, delegado sobretudo às UBSs. ''Nossos 42 leitos de PS estão lotados, mas restam ainda 15 macas de observação que podem ser usadas em último caso'', disse.
No Hospital Zona Norte (HZN), onde o fluxo de pacientes é maior, o diretor geral Adilson Castro disse que o aumento de 80% exigiu reforço nas escalas de plantão médico e de enfermagem. ''Tínhamos cerca de 170 pacientes/dia; hoje são até 270 em busca de cuidados no hospital'', exemplificou.
Com o PS lotado, ontem à tarde no HU o jeito era o cidadão esperar até 10 horas para que desocupasse alguma vaga nos PSs suspensos. Já dentro do hospital, outros tiveram que ser atendidos em bancos improvisados como a empregada doméstica Vilma de Oliveira da Silva, 46, internada com pneumonia. ''Dói muito a perna da gente esperar sentada assim, sabe?''
Com menos sorte, às 17h30 a pensionista Benedita Silva, de 70 anos, aguardava a vez desde às 11 horas, sem almoço, com dores no tórax e temendo uma crise de hipoglicemia em função do diabetes. ''Eu sempre ia no posto de saúde do Marabá (Centro), mas com a greve, até exame já perdi. O jeito é esperar e torcer para o mal estar passar logo'', afirmou Benedita, um tanto abatida.
Funcionário da recepção do HU, o técnico administrativo Jeferson Ferreira comentou que a demanda sempre é alta, mas ainda mais difícil de se lidar em época de paralisação. ''É mais complicado, porque temos que orientar as pessoas a irem embora, em casos menos graves, sabendo que elas não têm um posto para onde ir. Tem gente que chega a ficar aqui até 10 horas na esperança de não ir para casa sem ser atendido'', declarou.

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