Greve faz 1 mês sem perspectiva de acordo
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terça-feira, 05 de setembro de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Se depender do sindicato que representa os servidores municipais de Londrina, o Sindserv, a greve que completa hoje um mês deve chegar ''pelo menos até o Natal'', a julgar pelo ritmo das negociações com a Prefeitura. O movimento teve início no último dia 8 e, desde então - e diferente dos 31 dias de greve de 2005 -, não houve acordo sequer para uma reunião entre a entidade e representantes da Prefeitura. Se passar de sexta-feira, esta será a maior greve da história no funcionalismo público londrinense.
Ao contrário dos 31 dias que de paralisação do primeiro semestre de 2005, a deste ano contou até agora com apenas um ato público - uma passeata pelas ruas do Centro, há duas semanas -, além das assembléias gerais semanais. Outra diferença diz respeito à inflexibilidade do Executivo, que vem negando de forma sistemática qualquer possibilidade de negociação. O prefeito Nedson Micheleti (PT) foi taxativo: não começa uma negociação porque não quer ''gerar falsa expectativa na categoria'', uma vez que alega impossibilidade de caixa para mais despesas com pessoal.
Também diferentemente do ano passado, dessa vez a administração dispensou a intermediação proposta pela Câmara de Vereadores a fim de dissolver o impasse - negativa idêntica foi imposta o Minitério Público do Trabalho. Do mesmo modo, a atual greve não registrou piquetes e nem se tornou alvo de ação civil pública por parte do MP Estadual (MPE), que ano passado viu omissão por parte do prefeito e abuso por parte do Sindserv na condução do tema.
Para os vereadores que este ano tentaram intermediar o acordo, a situação já começou a afetar algo que, à primeira vista, é difícil de perceber na prática. ''É uma situação que depõe contra o desenvovimento de Londrina. Cada um cumpre o seu papel nas argumentações, o sindicato, por seu papel político de defender a categoria que representa, e o prefeito, que se defende com base em uma lei infraconstitucional'', avaliou Sidney de Souza (PTB), referindo-se à LRF evocada pelo chefe do Executivo desde o início do movimento.
Presidente da Comissão de Trabalho, encarregada de promover a intermediação, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), ''ninguém ganhou nada até agora, só houve derrota - principalmente, a população''. Contudo, o petebista questionou a forma como o assunto vem sendo tratado pelo prefeito. ''As respostas estão sendo dadas por meio da mídia. O prefeito parece que prefere se explicar por entrevistas, e não com o servidor'', opinou Tamarozzi, para quem a sociedade civil ''está omissa'' no caso.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, prefere classificar a aparente apatia da greve deste ano como estratégia de prolongamento. ''Nossa paralisação está tranquila, sem concentrações diárias, o que nos dá um fôlego a mais para, se for preciso, ir pelo menos até o Natal em busca de reposição salarial'', afirmou o sindicalista, para emendar: ''Pouco antes da greve, o prefeito mandou abastecer os postos de saúde por mais 60 dias - isso gerou um estado de ânimo no servidor para no mínimo dois meses de paralisação''.
Hoje de manhã os funcionários se reúnem em nova assembléia. Amanhã, realizam uma manifestação durante o desfile de 7 de Setembro, na Avenida Leste-Oeste. Para sábado, o Sindserv programa uma caravana de cinco ônibus para ''recepcionar o presidente Lula em Curitiba e apresentar a ele o DVD da greve de Londrina'', explica Urbaneja.
A reportagem tentou contato com o prefeito Nedson, ontem à tarde, mas ele não retornou o pedido de entrevista da Folha.


