Curitiba - A greve dos servidores públicos federais contrários à reforma da previdência já está tendo reflexos negativos junto à população. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) está deixando de prestar cerca de 4,5 mil atendimentos ao dia no Paraná. Dezesseis das 50 agências espalhadas pelo Estado estão com as portas fechadas desde a semana passada, quando a categoria deflagrou o protesto. As perícias médicas também não estão sendo feitas. Somente em Curitiba são realizadas 440 perícias ao dia.
A emissão de carteiras de trabalho, feita pelo Ministério do Trabalho, também está parada por tempo indeterminado. A própria recepção de documentos para protocolo foi suspensa ontem nas oito Ruas da Cidadania de Curitiba. O atendimento era feito, normalmente, das 8 horas ao meio-dia. Com o interrompimento do serviço, cerca de 250 carteiras de trabalho deixam de ser emitidas diariamente no Paraná.
A greve dos servidores foi alvo de reclamações intensas dos trabalhadores que procuraram benefícios junto ao INSS e ao Ministério do Trabalho. Na agência João Negrão, no centro de Curitiba, o motorista Ademar da Maia, 41 anos, queria dar entrada a um pedido de auxílio-doença. Ele quebrou o pulso e pegou 21 dias de atestado médico. Quinze dias serão pagos pela empresa, o restante pelo INSS. ''Vou perder seis dias de trabalho. Dia 21 eu volto a trabalhar e não terei mais tempo de vir para pedir o auxílio-doença'', protestou.
O operador de máquinas Nivaldo Bezerra da Silva, 45 anos, chegou ao INSS de Curitiba apoiado no ombro da mulher Elenilda. Cansado, ele teve que abandonar a agência depois de receber orientações dos servidores do INSS por mais de meia hora. ''Não posso ficar parado. Eu tinha que dar entrada nos papéis para continuar meu tratamento e sustentar a mulher e dois filhos.''
O auxiliar de produção geral Audesnir Soares de Souza, 21 anos, está desempregado e contava com a certeira de trabalho para buscar um novo emprego. ''Quero trabalhar o mais rápido possível. Essa greve está prejudicando os trabalhadores menos favorecidos. Se eles querem ganhar mais e garantir seus direitos, não podem prejudicar quem precisa e não tem onde cair morto.'' Souza perdeu a carteira de trabalho quando morava em Maringá. Para sobreviver e sustentar os pais também desempregados ele está trabalhando como carpinteiro.
A Previdência Social no Paraná conta com 1.779 servidores administrativos na ativa e outros 180 auditores fiscais, que não aderiram à greve, mas participam de mobilizações todas as terças e quartas-feiras. Os municípios afetados com a greve são: Curitiba, Londrina, Maringá, Araucária, Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, União da Vitória e Arapongas. Funcionam parcialmente as agências de Ponta Grossa e Cambé. A Justiça do Trabalho está parada em Curitiba, Londrina e Foz.

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