Greve dos servidores deve chegar ao fim
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quinta-feira, 24 de março de 2005
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
A greve dos servidores municipais, que completa hoje 19 dias, está com os dias contados. Ontem, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT) e o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), Marcelo Urbaneja, assinaram um documento elaborado pela Câmara de Vereadores que contém cinco propostas de negociação de reposição salarial e do desconto dos dias parados (veja quadro nesta página). As propostas, que deverão pôr fim à greve, serão colocadas para apreciação dos servidores em uma assembléia que será realizada segunda-feira, às 10 horas, em frente ao prédio da prefeitura.
Os vereadores vêm trabalhando na interlocução dessas propostas desde o dia 22. De reajuste imediato, o documento prevê apenas o do auxílio-alimentação, pago aos cerca de 6,5 mil servidores ativos. O benefício, que hoje é de R$ 145, seria reajustado já este mês em 16%. A reposição salarial reivindicada, de 21% referente as perdas acumuladas entre 2001, 2002 e 2004, seria negociada a cada quatro meses, período em que a prefeitura tem que prestar contas de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A negociação ficará condicionada ao incremento na arrecadação, que será acompanhada por uma comissão de servidores. O desconto dos dias parados serão negociados com a administração após o retorno ao trabalho. ''O prefeito aceitou negociar os dias parados. Pode haver o desconto parcelado como pode não haver o desconto'', disse o vereador e líder do prefeito na Câmara, Gláudio Renato de Lima (PT).
Mesmo assinando o documento proposto pela Câmara, prefeito e diretoria do Sindserv não chegaram a trocar uma só palavra. Durante toda a tarde de ontem, os vereadores conversaram com os servidores e as propostas foram repassadas por telefone para Nedson. ''Agimos como intermediadores do processo. Agimos como uma ponte entre o sindicato e o Executivo com o objetivo de achar o que é melhor para os servidores'', justificou a vereadora Sandra Graça (PDT). ''Com certeza nenhuma das partes facilitou. Estamos desde terça-feira construindo um documento de cinco itens, quer dizer, conseguimos isso no final da tarde de quinta-feira. Isso significa que realmente não estava fácil buscar o entendimento'', relatou Lima.
No final da tarde, quatro vereadores levaram dois documentos de igual teor para o prefeito analisar, na Sercomtel (leia reportagem abaixo). Um assinado pelo Sindserv e outro pela Câmara. Nedson assinou a proposta dos vereadores.
Na avaliação do presidente do Sindserv, apesar do documento não prever um reajuste imediato, as propostas assinadas pelo prefeito representam uma vitória da categoria. ''Existe aí uma vitória dos servidores públicos municipais que estão há 18 dias parados e, antes dessa paralisação, não tínhamos essa perspectiva de negociação para este ano. Hoje já existe um compromisso, este documento prevê negociação ainda este ano. Na nossa avaliação isso é uma vitória do movimento de paralisação'', disse Urbaneja.
''Não existe no momento índice apresentado pela administração. Essa negociação vai ser apresentada no mês de junho, quando ocorrer a primeira prestação de contas prevista pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Também tomamos o cuidado para que, se houver o desconto dos dias parados, isso não prejudique a ficha funcional do servidor'', complementou o presidente do Sindserv.
De acordo com Urbaneja, os servidores poderão discutir com a administração, a reposição dos dias parados. ''Podemos até discutir com a administração se houver necessidade de um movimento de reposição, um mutirão para tentar colocar as coisas em dia, desde que haja claro, o pagamento de horas extras ou coisas semelhantes'', condicionou.


