"Eles (servidores públicos) estão recebendo religiosamente seu salário em dia", discursou Ademar Traiano (PSDB), presidente da AL, sobre o"estado de greve" dos professores
"Eles (servidores públicos) estão recebendo religiosamente seu salário em dia", discursou Ademar Traiano (PSDB), presidente da AL, sobre o"estado de greve" dos professores | Foto: Pedro de Oliveira/Alep



Curitiba – A decisão dos professores da rede pública estadual de cruzar os braços a partir de 15 de março movimentou nessa segunda-feira (13) a sessão plenária na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. No último sábado (11), em Maringá, a maioria da categoria presente optou por iniciar um "estado de greve", realizando uma série de mobilizações em preparação para a paralisação geral, que tem tanto um caráter nacional, de resistência principalmente ao descumprimento da lei do piso e à reforma na previdência, como estadual, com críticas à diminuição da hora-atividade.
Para o presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), os docentes e o movimento sindical precisam ter a compreensão de que o Brasil possui hoje 13 milhões de desempregados. "Eles (servidores públicos) estão recebendo religiosamente seu salário em dia. É só assistir à televisão e ver o que ocorre nos outros Estados. Esse é o momento de cada um dar o seu voto de confiança e acreditar que, muito mais importante que discutir possíveis reposições salariais ou manutenção de alguns benefícios, é a certeza do recebimento do seu salário", opinou.
O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, que representa os professores, acompanhou as discussões da tribuna de honra. O primeiro e o segundo balcão estavam fechados, em reforma. "Queremos utilizar esse período (até 15 de março) para fazer debates com a comunidade e atos públicos que denunciem os prejuízos dessas medidas diversas adotadas", contou. No Paraná, a maior luta é pela revogação da Resolução 113/2017, publicada pelo governo Beto Richa (PSDB) e que trata da distribuição de aulas e funções nas escolas, "penalizando quem teve licença nos últimos anos".
"Estamos insistindo com os professores para que convertam o sentimento de indignação e revolta em sentimento de luta. Manteremos as cabeças erguidas, pois não estamos devendo nada a ninguém", completou Leão. De acordo com o líder da oposição, Tadeu Veneri (PT), a decisão de iniciar uma greve em março é resultado da intransigência da administração tucana, que acirra cada vez mais os ânimos, ao invés de promover o diálogo. "O governo busca de todas as formas levar os professores para o confronto. A impressão que dá é que o governador quer arrumar um inimigo de qualquer jeito para justificar sua incompetência", disparou.
"É lamentável, muito triste, que a cada ano surja um pacote de decretos objetivando retirar direitos e criar problemas nas carreiras dos professores. Ninguém gosta de greve, porque custa suor, lágrima, sangue e sacrifícios. Mas o Beto Richa quer porque quer que a educação faça greve", disse o líder do PMDB, Nereu Moura. O presidente da Comissão de Educação da AL, Hussein Bakri (PSD), lamentou que os deputados do grupo não tenham sido chamados para as negociações entre a Casa Civil e a APP. "Essa Casa está sendo excluída das ações que estão sendo tomadas."
Já o líder da situação, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), frisou que, por enquanto, não há uma greve propriamente dita. "Eu entendo que acabou prevalecendo o bom senso coletivo na assembleia da categoria; bom senso na medida em que se resolveu iniciar o ano letivo de forma regular e ficou uma data com distância aproximada de quase 40 dias para uma possibilidade de greve. E uma greve que é nacional. Penso que através do diálogo vai se encontrar soluções viáveis, que atendam ao interesse público."

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