Greve do funcionalismo tem baixa adesão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Luiza Damé e<BR>Sandro Lima<BR>Agência Folha 
À exceção dos servidores das universidades, fracassou a greve do funcionalismo público federal convocada para ontem. Em Brasília e nos Estados, a adesão não chegou a 10% no primeiro dia de greve. A baixa adesão estimulou o governo, que ontem mesmo desencadeou uma ofensiva política no Congresso para tentar vencer as resistências da base aliada ao pacote salarial baixado anteontem e que prevê reajustes diferenciados entre 3,5% e 35% para os servidores públicos.
Dos 1,061 milhão de funcionários, aproximadamente 130 mil estão parados, segundo o comando de greve, reivindicando reposição salaril de 75,48%. Estão em greve os professores e funcionários das universidades federais e os funcionários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A estratégia do governo de lançar um pacote com reajustes diferenciados deu certo. Segundo o diretor do Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsep), Ricardo Jácome, ''o anúncio do reajuste, principalmente as gratificações para o PCC (Plano de Classificação de Cargos), causou confusão e desmobilizou a categoria. Os servidores estão achando que vão ter todo esse aumento, mas é ilusão''.
À tarde, a Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Públicos Federais (Cnesf), órgão responsável pelo comando da greve, reuniu lideranças para reafirmar a continuidade da paralisação por tempo indeterminado e rebater as propostas do governo.
O governo foi surpreendido pela reação contrária da base aliada ao pacote dos servidores. Se o Congresso resolver aumentar o percentual de reajuste, a equipe econômica pretende apertar mais o ajuste fiscal previsto para 2002. O ministro Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria Geral) disse que as resistências serão vencidas. ''Houve uma leitura errada das medidas, olhando-se apenas o índice de 3,5%. Algumas carreiras terão um reajuste bem superior.''


