Greve de servidores prejudica serviços públicos em Maringá
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segunda-feira, 05 de junho de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Redução de aulas para 27 mil alunos da rede municipal. Redução de 70% na coleta de lixo, poda de árvores e fiscalização do trânsito. Promessa de atendimento mínimo no sistema de Saúde. Estes são os primeiros reflexos da greve iniciada ontem por servidores da Prefeitura de Maringá. Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar), Ana Pagamunici, entre 60% a 70% dos 7.400 funcionários aderiram à paralisação.
A categoria apresentou quatro reivindicações: reajuste de 16,67% índice equivalente ao aumento do salário mínimo; pagamento de progressão funcional, o que significaria um adicional por produtividade de até 6% nos vencimentos; revisão do plano de cargos e salários; e fim do que o sindicato considera ''perseguição aos servidores''. A prefeitura aceita a reposição integral da inflação de 2005 (4,53%) mas descarta a concessão de aumento real.
''Os servidores não aprovaram a proposta da administração e nesse momento diversos serviços estão paralisados. A tendência é que a situação fique pior a cada dia'', disse Ana Pagamunici. De acordo com ela, a greve foi deflagrada porque a prefeitura ''não queria negociar''.
Durante toda a segunda-feira, servidores permaneceram mobilizados em frente ao Paço Municipal para convencer os colegas a aderir ao movimento. ''São piquetes pacíficos para sensibilizar os servidores. Não há ameaça ou coação contra quem quer trabalhar'', afimou a sindicalista. Ela se mostrou indignada com a postura da administração de destacar um funcionário para gravar em vídeo as assembléias dos servidores.
O prefeito Silvio Barros (PP) contesta integralmente as declarações do sindicato. Para a administração, os serviços públicos funcionaram normalmente ontem e a paralisação tem motivação ''puramente política''. ''O posicionamento é do sindicato, não dos servidores que só serão prejudicados com isso. Nossas despesas com pessoal estão no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e não vamos dar aumento maior.''
Silvio Barros afirmou também que, além da reposição inflacionária, a prefeitura reajustou o piso salarial para R$ 450. O prefeito alega ainda que o comando de greve recebe colaboração de pessoas não ligadas à administração.
''É por isso que eles reclamam quando mando gravar as assembléias e dizem que estão sendo perseguidos. As provas da manipulação já foram enviadas à Justiça'', disse, em referência à ação judicial apresentada pela prefeitura que questiona a legalidade da greve.
Ontem pela manhã a Justiça concedeu liminar para manter liberada a entrada dos funcionários que querem trabalhar. ''Eles dizem que o piquete é pacífico mas não deixam os servidores passar e já houve até agressões'', acusou o prefeito.
A presidente do Sismmar alega que as pessoas citadas pelo prefeito são representantes de sindicatos de outras categorias que apóiam a manifestação dos servidores municipais.


