A assembléia que definiu a volta dos servidores da Saúde municipal de Londrina aos trabalhos, anteontem à tarde, não afetou a reabertura do prédio da administração, fechado desde 8 de agosto.
O atendimento de todas as secretarias tem sido improvisado, desde o início da paralisação, em prédios centrais da administração ou da iniciativa privada. Conforme a assessoria de imprensa do prefeito Nedson Micheleti (PT), o fechamento do prédio afetou, na realidade, ''apenas a renegociação da dívida ativa'', promovida na sede administrativa pela Secretaria Municipal de Fazenda. O grosso da arrecadação, entretanto, não foi afetado: carnês de IPTU, por exemplo, são pagos pelo contribunte em lotéricas ou agências bancárias - mesmo a segunda via, se necessária, pode ser adquirida na internet, no site oficial (www.londrina.pr.gov.br).
Preocupação no início da greve, a expedição de alvarás também continua, graças a um convênio firmado para isso com o Sebrae-PR. Outra parceria, dessa vez com o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), permitiu que os trabahos do Plano Diretor fossem tocados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul).
Segundo a assessoria, os 14 centros de atendimento da Secretaria de Assistência Social mantiveram regulares as atividades, da mesma forma que os serviços das secretarias do Idoso e da Mulher. Já pela Secretaria de Obras, o órgão admite: como parte dos servidores da área está em greve, a operação tapa-buracos levará alguns meses até ser normalizada.
Prédios públicos como os da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), da Sercomtel, da Companhia de Habitação (Cohab) e da Secretaria de Cultura têm sido alguns espaços improvisados para todas as pastas de funções burocráticas na sede. Nem mesmo o setor de licitações, ligado à Gestão Pública, parou: o grupo despacha da sede do call center Ask!.
Assim como a Saúde, setor que deu fôlego à greve deste ano, a Educação também foi um dos que sentiram mais efetivamente a paralisação, ainda que bem menos que nos 31 dias parados de 2005. De acordo com a secretária Carmen Baccaro Sposti, até ontem eram 153 os professores que aderiram ao movimento, de 100 escolas - 86 da zona urbana, 14 das rurais, e 53 da educação infantil.
Na assembléia, diretores do Sindserv negaram que o prédio da prefeitura esteja fechado e que Nedson poderia reabri-lo quando quisesse. ''O que o sindicato precisa fazer, assim como fez na Saúde, é terminar a greve e tirar o piquete do prédio. Só assembléia termina o movimento, não a administração'', resumiu o chefe da assessoria, Ricardo Rosa.
Para o diretor de comunicação do Sindserv, Éder Pimenta, a cidade ganhou e perdeu com a greve. ''Por um lado, quem mais perde é Londrina, que sai mais pobre, e com seus servidores municipais mais pobres. Por outro, a cidade também ganha, pois viu quem é intransigente e soube que a 'casa' não está arrumada como o prefeito diz'', criticou.

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