O Grêmio dos Operários da Prefeitura de Londrina pode perder a condição de estipulante (ou seja, intermediário) nas transações envolvendo seguros de vida inviduais e coletivos de sócios e não-sócios. A possibilidade foi admitida ontem de manhã pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e confirmada em seguida pelo controlador-geral do Município, Sinival Osório Pitaguari.
De acordo com o prefeito, a medida é uma das soluções estudadas pela administração em vista da suspensão dos repasses mensais do Executivo ao Grêmio no próximo dia 30, ela completa o terceiro mês. A partir dali, vencerá a carência legal de atraso com a seguradora Real, de Londrina, com a qual a entidade mantém uma apólice coletiva de aproximadamente 1,4 mil vidas.
Nedson afirmou que, até que qualquer hipótese seja efetivada, o ideal seria aguardar um posicionamento da Comissão Especial de Investigação (CEI) que apura a denúncia de apropriação indébita no Grêmio. ''As decisões administrativas nesse caso virão dos indicativos da CEI'', ponderou o petista. Mesmo assim, o chefe do Executivo não descarta que a Prefeitura efetue o pagamento diretamente à seguradora, caso a Comissão não termine seus trabalhos em tempo de garantir a cobertura dos segurados. ''Mas isso apenas em caráter emergencial, e por um período curto. Não há interesse nenhum nosso em sermos o estipulante'', ressalvou Nedson.
Pitaguari complementou que ''várias entidades de servidores já foram sondadas'' para serem estipulantes no lugar do Grêmio, de modo que ''todas'' teriam demonstrado interesse na execução da tarefa. Funcionam também como estipulantes, atualmente, tanto o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) quanto a Caixa de Assistência de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais (Caapsml), a Associação dos Funcionários Municipais (AFML) e a Associação Municipal dos Aposentados.
Por outro lado, o controlador assegurou que as respostas do Grêmio à CEI e à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) à qual chegou primeiro a denúncia de apropriação indébita ainda podem evitar que o Executivo exclua a entidade da condição de estipulante.
O atual presidente do Grêmio dos Operários, Luiz Bispo da Silva, lamentou as declarações de Nedson e de Pitaguari. Pelos cálculos dele, sem o pró-labore de cerca de R$ 6 mil mensais ficará ''complicado'' arcar com as despesas de funcionários e manutenção do clube. ''Nossa receita (de mensalidades dos associados) é de R$ 10 mil, e gastamos R$ 15 mil ao mês. Se já está difícil pagar dívida atualmente, sem esse adicional vai ficar ainda pior'', concluiu Silva.

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