A missão brasileira enviada à Suíça terá como objetivo principal rastrear todas as contas e aplicações existentes em nome do juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que está foragido desde 25 de abril. A informação foi dada pelo ministro da Justiça, José Gregori. ‘‘Queremos saber se o juiz mantém outros ativos em instituições financeiras na Suíça’’, disse Gregori, na noite de segunda-feira, após ser homenageado por cem delegados da Polícia Federal com um jantar no Sheraton Mofarrej, em São Paulo.
Segundo o ministro, ‘‘o único peixe grande que caiu na rede até agora’’ é o depósito de US$ 7 milhões na conta Nissan, mantida por Nicolau no Banco Santander de Genebra. O dinheiro está bloqueado por decisão da Justiça suíça, mas só poderá ser repatriado se Nicolau for condenado nas ações criminais e civil em que é acusado de estelionato, formação de quadrilha, corrupção passiva, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A Procuradoria da República sustenta que Nicolau é o mentor do esquema de desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista.
Gregori revelou que a missão – formada por duas procuradoras federais, um procurador da Advocacia-Geral da União (AGU) e um representante do Ministério da Justiça –manterá contatos com autoridades de Berna e Genebra. Antes do embarque do grupo, o ministro encontrou-se na sexta-feira com o embaixador da Suíça no Brasil. Gregori solicitou ajuda do Departamento de Estado da Suíça na batalha judicial aberta a partir de uma ação movida pela defesa de Nicolau, que pretende desbloquear o dinheiro. ‘‘O governo brasileiro está empenhado em evitar que Nicolau consiga resgatar o dinheiro da conta Nissan’’, afirmou Gregori.
O juiz fugitivo contratou o advogado suíço Paolo Bernascone, especialista em Direito Tributário, para requerer a liberação dos recursos. ‘‘Bernascone é uma figura internacionalmente conhecida na área, naturalmente não é difícil prever os honorários que irá cobrar’’, observou o ministro. Ele reiterou que ‘‘a única coisa sólida que se tem é esse dinheiro’’ Por isso o governo decidiu enviar o grupo de procuradores. ‘‘Não acredito em surpresas, mas o governo tem de zelar pelo seu patrimônio.’’
Ao ser perguntado sobre a fuga de Nicolau, o ministro assinalou: ‘‘Temos uma ordem judicial para cumprir e vamos cumpri-la.’’ A festa em homenagem a Gregori e ao diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho – promovida pelo Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo – coincidiu com os 150 dias da fuga do ex-presidente do TRT. Antes do jantar, os atores Rodrigo Lombardi e Luiz Amorim fizeram uma performance do poema intitulado ‘‘Os estatutos do homem’’, inspirado em poema de Thiago de Mello. Gregori acompanhou a interpretação da história sobre um rei cansado de assinar decretos que um dia pediu a a ajuda de seu primeiro-ministro para acabar com a burocracia pegajosa.
À saída, Gregori assegurou que ‘‘a PF está empenhada com o que há de melhor no seu efetivo’’ nas buscas ao juiz Nicolau. O delegado Gilberto Tadeu Vieira Cézar disse que ‘‘um juiz que foi presidente de um tribunal deveria confiar mais no seu direito de defesa ao invés de permanecer na clandestinidade’’.

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