O ministro da Justiça, José Gregori, negou ontem em Tatuí (140 quilômetros de São Paulo) que esteja negociando com o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto para que ele se entregue. Gregori admitiu ter conversado com o advogado de Nicolau, Alberto Toron, mas ressaltou que esse contato não pode ser definido como parte de uma negociação. ‘‘Foi apenas uma conversa’’, assegurou.
Segundo Gregori, o juiz aposentado continua sendo procurado pela Polícia Federal. ‘‘Estão sendo efetuadas as buscas em função da determinação judicial e, se for encontrado, a Polícia Federal nada mais terá a fazer senão prendê-lo e apresentá-lo à Justiça.’’ O ministro disse que o juiz Nicolau, se for detido, será bem tratado e terá seus direitos respeitados como qualquer pessoa presa pela Polícia Federal. ‘‘Não há razão nenhuma para receio de execração pública ou qualquer outra coisa, porque a Polícia Federal não cometeu nem cometerá qualquer ato lesivo aos seus direitos.’’
O ministro comentou também o caso do banqueiro Salvatore Cacciola que está vivendo em liberdade em Roma, embora seja procurado pela Justiça brasileira e pela Interpol. Segundo ele, o governo brasileiro já pediu a extradição do banqueiro, acusado da quebra fraudulenta do Banco Marka, para que ele seja responsabilizado judicialmente. ‘‘O que está dificultando a extradição é o fato de ele ter dupla nacionalidade.’’
Segundo Gregori, embora a Itália admita a extradição do cidadão italiano acusado de crime em outro País, o processo é demorado. ‘‘A Justiça italiana ainda está analisando o caso’’, disse Gregori – que esteve em Tatuí para a entrega de viaturas à Polícia Federal.
O presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou-se contra a negociação para rendição do juiz Nicolau dos Santos Neto, acusado de ter desviado R$ 169 milhões dos recursos destinados à obra do Fórum Trabalhista de São Paulo. Questionado sobre um suposto acordo nesse sentido que estaria sendo negociado pelo ministro da Justiça, José Gregori, e se era favorável a isso, Fernando Henrique se disse contra. ‘‘Certamente que não pode haver acordo. Quem está sendo perseguido e acusado de ter malversado dinheiro público não pode ter acordo. Tem de ser preso’’, afirmou. ‘‘Se esta prisão acontece porque ele se entrega ou porque alguém o encontra é um detalhe.’’ O presidente chegou no início da noite à capital panamenha, onde participará da X Conferência Ibero Americana da Infância e Adolescência.

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