O ministro da Justiça, José Gregori, rejeitou ontem a idéia de cassar o senador Arruda. ‘‘O caso não deixará de ter consequências, mas não acho que seja justo aplicar a punição máxima’’, declarou, referindo-se à abertura de um processo que poderia resultar na perda do mandato do tucano. Apesar da defesa de Arruda, o ministro qualificou o comportamento de Arruda como ‘‘censurável no plano moral’’, ‘‘não-edificante’’ e considerou sua punição ‘‘inevitável’’.
Para Gregori, que é filiado ao PSDB, Arruda não cometeu qualquer crime, mas uma ‘‘falta moral dupla’’. ‘‘Em primeiro lugar, por ter bisbilhotado o voto secreto de seus colegas. Segundo, por ter faltado com a verdade perante o Senado. Isso caracteriza não um crime, mas uma falta moral grave’’, afirmou. O ministro esteve no Rio participando de uma solenidade na Associação Comercial.
O pronunciamento de Arruda, na segunda-feira, no Congresso é visto por Gregori como um fator atenuante. Ele acredita que a Casa deve levar em consideração a confissão e o pedido de desculpas do parlamentar na hora de julgá-lo. ‘‘É sabido que a confissão, a não-insistência na ocultação da verdade traz consequências benéficas para quem comete um crime’’, afirmou. ‘‘Mais ainda quando se trata de uma falha ética’’.
Perguntado sobre a situação do ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães, Gregori disse que isso dependerá do pronunciamento do líder baiano, o que deve acontecer ainda esta semana. ‘‘Depende de qual será o comportamento dele quando tiver a oportunidade de se explicar.’’
Gregori espera que o Senado dê, o mais rápido possível, um fim à crise política. ‘‘O Senado deve resolver esse problema ontem. Não há mais razão para postergação. As coisas já estão claras. Isso está trazendo consequências para o Brasil e desgaste para o Senado.’’

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