O ministro da Justiça, José Gregori, afirmou ontem que o vaivém do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto pelas prisões da PF e da Polícia Civil é um problema do Judiciário, mas manteve a posição de que as instalações da PF não são adequadas para manter o ex-juiz. ‘‘A PF fez o pedido de transferência do juiz com a minha aquiescência, porque as instalações em São Paulo não são adequadas. A presença do juiz criou um tumulto no local. Toda noite tinha gritaria, barulho à noite, vizinhos gritando (contra o juiz). Então não era o melhor. Mas decisão judicial se cumpre’’, afirmou Gregori.
O ministro continuou negando que tivesse havido acordo entre o governo e o ex-juiz para que ele se entregasse. Questionado sobre a diferença entre o tratamento dado pela PF, que chegou a driblar a imprensa para impedir que o ex-juiz fosse fotografado, e o da Polícia Civil, que deixou Nicolau livre para fotos, o ministro disse que, quando ele chegou, ‘‘tudo determinava a maior prudência em relação à chegada do juiz, e ele fez um percurso em que não se encontrava com a mídia’’. Gregori afirmou que não deu ordem para que fosse usado um dublê para proteger Nicolau e driblar a imprensa. ‘‘Eu já estava indo para o exterior, não tive nenhuma ingerência sobre isso.’’
A volta de Nicolau às instalações da PF foi determinada ontem em despacho do presidente do STJ ministro Paulo Costa Leite, em resposta a um pedido de habeas-corpus impetrado pelo advogado do ex-juiz, Alberto Toron. Toron pedia que fosse concedida a prisão domiciliar a Nicolau, por considerar que a transferência do ex-juiz para as instalações da Polícia Civil, não destinadas à prisão especial, seria um constrangimento ilegal.

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