O ministro da Justiça, José Gregori, saiu ontem em defesa do presidente Fernando Henrique Cardoso fazendo críticas indiretas ao ex-senador baiano Antonio Carlos Magalhães e ao governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Gregori afirmou que País está enfrentando ‘‘problemas muito importantes’’, que requerem a união de todos, numa clara referência à crise enérgética.
‘‘No meu tempo de adolescente, o Brasil todo se uniu contra um inimigo comum, o nazi-fascismo, que queria acabar com a democracia. Quem não o fez tinha o nome de quinta-coluna’’ afirmou o ministro, durante cerimônia em São Paulo. ‘‘Os que hoje não fazem também têm o mesmo nome’’.
A reação de Gregori começou ao ser indagado sobre o fato de ACM ter chamado nesta semana o presidente Fernando Henrique de ‘‘ladrão’’. O ministro lembrou que o ex-senador baiano já havia desmentido e também havia afirmado que não tinha razões para duvidar da honestidade de Fernando Henrique.
Gregori fez o primeiro alerta para se evitar o ‘‘quinta-colunismo’’. Encerrou o caso ACM utilizando argumentos semelhantes aos do presidente. ‘‘Acho que o Brasil, o presidente e este ministro já se ocuparam muito desse senhor’’, afirmou, deixando claro que a Advocacia Geral da União já está tomando as providências para processar o senador Antonio Carlos pelo ataque dirigido ao presidente.
Ao ser perguntado se teria chamado também o governador Itamar de ‘‘quinta-coluna’’, Gregori preferiu dizer que não estava citando nomes. Mas o ministro reafirmou que quem não contribui para ajudar o Brasil a ‘‘resolver seus problemas têm esse nome’’. Itamar Franco proibiu a cobrança de sobretaxas e o corte do fornecimento de energia em Minas Gerais, contrariando o plano de racionamento do governo federal.
Gregori integrou ontem a comitiva de cinco ministros que acompanhou o presidente Fernando Henrique a um ato no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Com sua imagem arranhada pela crise energética, Fernando Henrique veio a São Paulo liberar recursos para a área de segurança, um dos principais problemas do governo paulista e a principal preocupação dos moradores do Estado.
O governo federal liberou para o governador Geraldo Alckmin R$ 35 milhões para a construção de 11 penitenciárias. Estas obras permitirão a desativação da Casa de Detenção do Complexo Penitenciário do Carandiru, onde estão mais de sete mil presos.

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