Greca será ouvido de novo no Senado
Leandro Donatti
De Curitiba
O ministro do Esporte e do Turismo, o paranaense Rafael Greca (PFL), passa hoje por nova sabatina no Senado. Desta vez, a conversa é com a comissão mista do Senado e da Câmara dos Deputados. Greca está sem força política, já que ontem não conseguiu apoio nem de aliados para fazer o Congresso votar a MP que regulamenta o patrocínio do futebol e o funcionamento dos bingos. No olho de um furacão de denúncias de improbidade, o ministro fala a partir das 10 horas, em Brasília, sobre os dois assuntos, e certamente será indagado sobre o pedido que o Ministério Público Federal fez para que a Justiça Federal autorize a quebra do sigilo bancário e telefônico de empresas e assessores ligados a ele, acusados de corrupção e de envolvimento com a máfia italiana.
Greca contará apenas com um aliado paranaense na comissão mista: o deputado federal e seu suplente na Câmara, Ivânio Guerra (PFL). O senador Alvaro Dias (PSDB) e o deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, farão as vezes de oposição. Os dois pretendem questionar Greca sobre a avalanche de denúncias contra a sua gestão. Além de conexões com a máfia italiana, a equipe mantida por Greca é acusada de cobrar propinas para a instalação de bingos. O ministro não disse uma palavra ontem sobre a quebra de sigilo solicitada pelo Ministério Público Federal. Greca não quer polemizar, para não colocar em risco o seu cargo e sofrer mais desgaste.
O ministro disse através de sua assessoria que não comenta assuntos que estão sob investigação. Para os mais próximos, Greca voltou a bater na tecla de que está tomando as medidas necessárias para sanear os jogos no País. O discurso oficial, entretanto, não diminuiu o clima de tensão que cercou seu Ministério. Greca apostava na aprovação da MP, para não ter de se expor hoje na comissão mista. Além do mais, se a medida não for aprovada, sua pasta perde força. A MP que institui taxas (R$ 6 mil para bingos fixos e R$ 4 mil para bingos eventuais) visa a arrecadar em 2000 R$ 50 milhões. Se a matéria não passar no período extraordinário, fica com a vigência comprometida. O assunto é tributário e obedece ao princípio da anterioridade.
A mais nova crise pela qual passa o único ministro do Paraná reacendeu a briga PSDB-PFL por espaço no governo federal. Alvaro Dias, que é o presidente regional do PSDB, disse que Fernando Henrique está perdendo a chance de se livrar de Greca. Há indícios suficientes para demiti-lo. Na França, isso já teria ocorrido, para não contaminar o resto do governo. O Ministério Público estabeleceu ligações com a máfia italiana. E isso tem de ser apurado, declarou. Para Alvaro, o governo federal não pode ter ministro réu. A Justiça é lenta, e o governo tem poder para se antecipar aos fatos. A permanência de Greca compromete a credibilidade do presidente, assinalou.
Vice-presidente do PFL estadual, o deputado federal Abelardo Lupion saiu em defesa do ministro. Greca tem o apoio do PFL. Isso é mais um problema cartorial. É a autofagia do Paraná falando mais alto, classificou. Lupion disse ainda que o ministro tem demonstrado transparência em seus pronunciamentos. No final do ano passado, Greca falou ao Senado sobre as primeiras denúncias endereçadas a sua pasta. A parte dele está feita. Agora cabe à Justiça decidir. Acho que o pedido de quebra de sigilo tem muito de sensacionalismo, analisou, sem dar nomes.





