Leandro Donatti
De Curitiba
O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL), disse que está sendo vítima de perseguição pessoal e política da mídia e dos procuradores federais que solicitaram à Justiça, durante a semana, a quebra dos sigilos bancário e telefônico de seus oito assessores e de outras 60 empresas ligadas ao ministério, sob a acusação de corrupção e envolvimento com a máfia italiana. Greca comparou-se ao ex-ministro da Saúde e hoje prefeito de Pato Branco, Alceni Guerra (PFL), que foi afastado do governo Fernando Collor em 1991 por suspeitas de crimes, como fraudes na compra de bicicletas para agentes de saúde, que acabaram nunca sendo comprovados.
‘‘O poder da mídia moderna, com a informação em tempo real, pede responsabilidade aos formuladores de notícias. O nosso caso, que só interessa aos nossos opositores no Paraná, é irrelevante se comparado ao que se fez ao ex-ministro Alceni Guerra ou com a Escola Base, de São Paulo. Nosso querido prefeito de Pato Branco e os dirigentes da escola paulista foram triturados no noticiário para que depois, envergonhadamente, poucas linhas de rodapé confessassem o escandaloso equívoco público e dos procuradores’’, declarou Greca. De pé atrás com os jornalistas, o ministro preferiu responder às perguntas da Folha por escrito.
‘‘Um dos assessores de Alceni, pediatra Nelson Emílio Marques, conhecido em Curitiba, médico valoroso, morreu de depressão, arrasado pela perseguição política. Vergonha para o Brasil. Contra o Alceni, sequer se conseguiu materialidade para instauração de inquérito. Contra os proprietários da escola paulista, se levantou o linchamento pessoal e a destruição das instalações físicas. O dano é moral, quando as denúncias não são verdadeiras e são alardeadas como se verdade fossem’’, reagiu Greca, anunciando seu apoio à proposta que tramita no Congresso e que proíbe o vazamento de informações pelo Ministério Público antes de concluídos os processos.
‘‘Sou inteiramente favorável. O seu verdadeiro nome é Lei da Ética na Aplicação da Justiça e não Lei da Mordaça. Se queremos uma Democracia, madura e com letra maiúscula, temos o dever de respeitar integralmente todos os cidadãos antes de desqualificá-los’’, afirmou. ‘‘Isto não quer dizer que deva haver restrições aos poderes investigatórios do Ministério Público. Tudo deve ser propiciado aos que buscam a Justiça e o cumprimento da lei. Sem exibicionismo’’, pregou. Greca disse que foi pensando nisso que ele e a mulher, a presidenta da Fundação Cultural de Curitiba Margarita Sansone, decidiram tornar públicas as suas contas.
‘‘Nem juiz nem procurador algum pediram isso. Mas, por me julgar perseguido pessoal e politicamente, com grave risco de dano moral pelos procuradores da República no Distrito Federal, resolvi voluntariamente abrir os sigilos.’’ Greca não poupou ataques ainda ao procurador Luiz Francisco de Souza, que o denunciou por improbidade e que será ouvido pela comissão mista do Senado e da Câmara na próxima quinta-feira. ‘‘Nosso patrimônio pessoal, fundado em bens de raiz, das nossas famílias tradicionais em Curitiba, em hipótese alguma significa o que o procurador tem qualificado como ‘indícios veementes de enriquecimento ilícito’. Nós que conhecemos a intensidade do nosso labor, nos indignamos profundamente com a inverdade assacada contra nós.’’Ministro do Esporte alega estar sofrendo ‘‘perseguição pessoal e política’’ e comparou-se ao ex-ministro Alceni Guerra
Arquivo FolhaARGUMENTOGreca: ‘‘Temos o dever de respeitar integralmente todos os cidadãos antes de desqualificá-los’’