Greca manda assessores abrir contas
Na tentativa de amenizar desgaste político, ministro ameaça demitir quem não cumprir a ordem; PFL dá sinais de abandono
Ed Ferreira/Agência EstadoREPIQUEGreca, ao rebater denúncias: Eu que sou luz não posso me misturar com as trevasO ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca (PFL), determinou ontem que seus assessores abram como ele e a mulher Margarita Sansone seus sigilos bancário e telefônico. A ordem veio dois dias depois de o Ministério Público Federal (MPF) solicitar em juízo a quebra de sigilo de seus assessores diretos e de outras 60 empresas (dentre as quais, o Instituto Farol do Saber, do ministro), para apurar suspeitas de improbidade na administração dos bingos e suposto envolvimento do Ministério com a máfia italiana.
Determinei que meus assessores abram suas contas aos procuradores. Quem não o fizer, será demitido, ameaçou. Na tentativa de reverter o desgaste político, Greca poderá mudar nomes de sua equipe uma sugestão que lhe fora feita por seu partido, o PFL, em novembro, mas que o ministro vinha resistindo em acatar. O comando do partido mudou o discurso: está solidário com o ministro, mas não pode fazer muito mais por ele; o próprio Greca terá que trabalhar por sua permanência no governo.
A forma como o ministro trabalha, cercado de assessores e amigos próximos do Paraná, incomoda ao seu partido e ao presidente Fernando Henrique Cardoso. É um grupo fechado de amigos, que, na avaliação dos políticos, só complica a situação do ministro diante das denúncias.
O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, reafirma que o partido é contra a ação dos procuradores do MPF contra o ministro. Estão querendo massacrar o Greca, disse ontem. Mas já não afirma que o partido fará sua defesa. Ele é o ministro e ele é que tem que se safar, disse ontem a um amigo.
Ao PFL só interessa manter Greca no ministério de FHC se ele conseguir dar a volta por cima em um curtíssimo espaço de tempo. Não interessa ao partido ter um ministro ruim no governo, porque ministro ruim não ganha eleição nem de deputado, dizia ontem um senador, lembrando o caso de outro ministro do PFL do Paraná, Reinhold Stephanes, que foi mal avaliado como ministro da Previdência e, depois, perdeu uma eleição de deputado federal.
Na próxima terça-feira, Greca tem audiência com FHC e pretende se antecipar ao Ministério Público e entregar, no decorrer da semana que vem, os extratos de suas contas bancárias e telefônicas. Ontem, o ministro protocolou junto à 10ª Vara Federal de Brasília, declaração colocando suas contas à disposição. A assessoria do ministro informou ainda que Greca conversou por telefone com o presidente e pretende montar um espaço especial no próprio Ministério para garantir o acesso desburocratizado das pessoas às suas contas.
A ordem do ministro, para quebrar sigilos, surtiu efeito imediato. Cinco de seus subalternos já protocolaram declaração junto a mesma vara federal: a secretária-executiva, Teresa Castro; o chefe de gabinete, Pedro Vieira César; o subsecretário de Orçamento e Administração, Tupy Barreto Junior; e os assessores Almir Carlos Bornacin e Lincoln Paulo Martins Moreira. Faltam ainda: o procurador-geral Luiz Passani; o coordenador-geral José Clodomiro Russomanno; e os assessores Mauro Magnabosco, Suzana Dieckman Jeolas e Jeolas, e Alexandre Teixeira.
Compartilhamos com o Brasil a nossa privacidade. Nada devemos e nada tememos. Eu que sou luz não posso me misturar com as trevas, afirmou Greca, que ontem prestou esclarecimentos à comissão mista do Senado e Câmara. A sabatina não foi tão tensa como previa o ministro. A comissão se restringiu à MP que regula os bingos e o financiamento esportivo. O ministro não precisou rebater argumentos do senador Alvaro Dias (PSDB), integrante da comissão e defensor de sua demissão. Alvaro não foi à sabatina. Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) passaram rapidamente pela sala do Senado, onde Greca era ouvido. Alvaro disse que houve acordo para não se tocar na ferida.
O deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha, foi o único paranaense a questionar o ministro. Não me convenceu. Disse que é contra o jogo, mas, no entanto, deu sinais de que quer manter o jogo no Brasil, argumentou. Greca disse que o governo não tem condições de fiscalizar a receita dos mil bingos legais e clandestinos em atividade no País sem a criação da Tabingo (Taxa de Autorização de Bingos).





