O ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati (PP) conversou com o ex-secretário de Desenvolvimento Sustentável e ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), pré-candidato ao governo do Estado, na noite desta terça-feira (14), durante a 64ª ExpoLondrina (Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina). À FOLHA, Greca afirmou que Belinati é um dos nomes cotados para ser vice em sua chapa.

Belinati classificou a conversa com o ex-prefeito de Curitiba como “muito boa”. “O Greca é uma simpatia. Um bom, cordial e alegre papo. Somos amigos desde quando éramos prefeitos”, disse o ex-prefeito, que revelou apenas que a conversa tratou de “conjunturas” e reiterou que seu desejo é concorrer a deputado federal.

Greca lembrou que uma eventual composição com Belinati passa por articulação com o deputado federal Ricardo Barros (PP), que lidera o Progressistas no Paraná, e também pelo interesse do ex-prefeito de Londrina, pré-candidato à Câmara Federal.

“Eu vou pedir licença, eu tenho que ligar para o Ricardo Barros. Eu não posso invadir a casa alheia, meter o pé na porta. Mas conversar com o Marcelo é minha maior alegria, porque ele é muito simpático”, disse Greca, acrescentando que, além de Belinati, há outros nomes na mesa. “Mas não vou ficar contando o jogo antes da hora.”

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Por meio de sua assessoria de imprensa, Ricardo Barros afirmou que “todas as possibilidades estão sendo analisadas de maneira conjunta com o União Brasil, que integra a federação com o Progressistas” e que, até o momento, não há definição sobre a disputa pelo governo do Estado.

Ainda que esteja longe de ser consolidada, a composição entre Greca e Belinati pode representar um contraponto capaz de ameaçar o favoritismo do senador Sergio Moro (PL), que vem liderando as pesquisas de intenção de voto. Essa é a avaliação do analista político Elve Cenci.

“Na recente pesquisa divulgada pelo Instituto Paraná Pesquisas, Moro aparece com 46%, Greca com 19,7% e Requião Filho com 17,7%. Caso a chapa Greca/Marcelo se viabilize e decole, os votos de Requião também podem migrar para a chapa, já que o perfil desse eleitorado é anti-Moro”, avalia Cenci, que também cita a experiência administrativa da dupla como contraste importante em relação ao senador.

“O fato de serem dois ex-prefeitos que representam as duas maiores cidades do Estado e que tiveram avaliações muito positivas ao término de seus mandatos, ambos com mais de 70%, contrastaria com o fato de Moro nunca ter exercido o cargo de chefe do Executivo”, acrescenta o analista.

Cenci acredita que, se para Greca uma eleição para governador seria o “coroamento de sua trajetória”, para Belinati, mesmo na condição de vice, a decisão representaria um desafio político importante.

“Caso seja eleito, ser vice-governador não é pouca coisa, mas a tendência é desaparecer no dia a dia da administração. Tal fato, para um político com uma carreira pela frente, pode diminuir sua visibilidade. Por outro lado, se perder, também deixará de conquistar uma vaga praticamente certa na Câmara Federal”, destaca o analista, que ainda vê o pleito como uma excelente vitrine para uma eventual nova candidatura de Belinati à Prefeitura de Londrina, em 2028.

E O NOME GOVERNISTA?

Na avaliação de Cenci, o deputado federal e ex-secretário estadual de Infraestrutura Sandro Alex (PSD), que recebeu a bênção de Ratinho Junior (PSD) para a sucessão, pode enfrentar dificuldades na corrida eleitoral. A escolha do governador surpreendeu e desagradou aliados, e o trabalho agora é construir a candidatura governista.

“Apesar de fazer parte do quadro de secretários do governo, é um ilustre desconhecido fora de sua região, Ponta Grossa. Seu irmão, Marcelo Rangel, ficou em terceiro lugar na última disputa para prefeito, fato que revela fragilidade política até mesmo na própria ‘casa’”, conclui o analista.

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