Patrícia Zanin
De Londrina
Um dia depois de ter sido acusado no Senado pelo ex-presidente do Indesp, Manoel Tubino, de estar por trás de todas as irregularidades do órgão – liberação para funcionamento de bingos, autorização para máquinas de jogo eletrônico e envolvimento com a máfia italiana – o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, disse ontem à Folha que tem como provar que Tubino mentiu em seu depoimento à Comissão de Assuntos Sociais (CAS). ‘‘Ele disse coisas que eu não fiz, não mandei e não pode provar. Provo também que ele fez coisas que não me disse’’, reagiu o ministro.
Greca voltou a afirmar que, se for preciso, pretende depor no Senado. Ele quer, primeiro, ter os resultados da sindicância interna do Indesp e do inquérito da Polícia Federal para apurar as denúncias de irregularidades no órgão. ‘‘Estou disposto a ir ao Senado, mas não quero discutir a operação CC-5 da mulher do Requião, a perfídia do Alvaro contra os professores ou as ovelhinhas do Osmar’’, afirmou, numa provocação aos três senadores paranaenses, seus desafetos políticos, que pretende processar por ‘‘calúnia e difamação’’. ‘‘Vou pedir licença ao Supremo Tribunal Federal’’, informou. Os políticos têm imunidade parlamentar.
O ministro afirmou ainda que está processando o ex-presidente do Indesp. ‘‘O órgão é independente, mas quando cobrei esclarecimentos dele, não me contou, em nove meses, o que o novo presidente me disse em 12 dias’’, disse Greca. Ele antecipou à Folha que o relatório que será divulgado hoje pelo presidente do Indesp, Augusto Viveiros, aponta a autorização para funcionamento de mais de mil bingos no País neste ano. ‘‘Quando perguntei, o professor Tubino disse que haviam sido liberados três’’, acusou.
Greca disse ainda que as críticas e denúncias possibilitam a abertura da ‘‘caixa-preta’’ do jogo. Sobre as denúncias de que o Indesp, ao autorizar bingos estaria formando uma caixinha para sua campanha, em 2002, Greca fez um trocadilho: ‘‘Quis fazer com que fosse para a caixona, que foi a Caixa Econômica Federal’’. A CEF ficará responsável por emitir cartelas para bingos, com tarja oficial.
Sobre a existência de pontos vitais na estruturação da máfia dos bingos no Brasil apontados por Tubino como a Sociedade Administradora dos Bingos, Greca disse que não sabe de nada. ‘‘Isso é caso de polícia’’, afirmou. ‘‘Como descendente de italianos também tenho vergonha da máfia’’, completou.
O ministro lembrou que o decreto que instituiu as máquinas eletrônicas não está mais valendo. O presidente Fernando Henrique Cardoso editou uma Medida Provisória proibindo o funcionamento das máquinas caça-níquel. Em relação à limitação de laboratórios que fornecem laudos técnicos para aprovação das máquinas de jogo, Greca disse que Tubino foi autorizado a abrir para outros laboratórios, mas não tomou providência.
Ontem, o deputado Ricardo Barros (PPB) saiu em defesa do ministro na tribuna da Câmara. ‘‘O ministro agiu com interesse de moralizar’’, afirmou o deputado. Para o parlamentar a repercussão em torno do caso se deve a uma briga ‘‘paroquial’’. (Colaborou Pedro Livoratti)Um dia depois de ter sido acusado de ser avalista de irregularidades no Indesp, ministro nega e diz que prova aos senadores
Arquivo FolhaIRONIAGreca: ‘‘Não vou discutir a operação CC-5 da mulher do Requião, a perfídia do Alvaro contra os professores ou as ovelhinhas do Osmar’’

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