Greca diz que não pede para sair do ministério Arquivo FolhaGreca: presidente diz quem sai e quem fica Marta Salomon Agência Folha De Brasília O ministro Rafael Greca (Esporte e Turismo) afirmou ontem que não tomará a iniciativa de pedir demissão e só deixará o cargo por ordem expressa do presidente Fernando Henrique. ‘‘Sinto-me muito bem no governo’’, comentou o ministro por telefone sobre a entrevista do presidente à revista ‘‘Época’’ em que FHC afirma ter sido um erro não deixar que Greca assumisse o mandato de deputado federal para o qual havia sido eleito em 98. Logo após a eleição, Greca foi convidado para o ministério. ‘‘Permaneço no governo até que o presidente mande eu sair. No regime presidencialista, quem diz se um ministro fica ou se sai é o presidente’’, declarou o ministro. Desde o início do ano, a queda de Greca é considerada iminente. Ele teria ganho sobrevida no cargo apenas até as comemorações dos 500 anos do Descobrimento. O ministro disse ontem que não entendeu as afirmações de FHC como um sinal de fritura, um convite para que ele pedisse demissão. ‘‘Entendo (as declarações) como um carinho especial. Concordo com ele (o presidente): se tivesse mais tempo no Congresso, teria mais condições de me defender’’, avaliou. Greca contou ontem ter ouvido pessoalmente as mesmas ponderações de FHC em conversa que os dois tiveram há cerca de três semanas. ‘‘Nas entrelinhas, o presidente quer que eu fique’’, confia. O ministro disse que, caso venha a ser demitido, permanecerá um aliado de FHC: ‘‘Se deixar de ser ministro, serei um deputado a favor do governo no Congresso’’. Seu mandato na Câmara, do qual está licenciado, só termina em 2002. Greca insistiu em que já ofereceu a quebra do sigilo bancário e reformulou a equipe do ministério em resposta às denúncias de irregularidades no Indesp, órgão vinculado ao ministério e responsável pelo controle dos bingos e de máquinas caça-níqueis. ‘‘Faz dois meses e não encontraram nada contra mim’’. Na terça-feira, Greca embarca com FHC para uma viagem de três dias a Portugal, onde ambos participarão da abertura oficial das comemorações dos 500 Anos. Embora FHC tenha apoiado a sobrevida do ministro no cargo diante dos ataques que enfrentou no início do ano (com o pedido de quebra de sigilo de vários de seus assessores pelo Ministério Público), interlocutores do presidente não acreditam que Greca tenha vida longa no cargo.