Greca articula para disputar governo
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sábado, 24 de maio de 1997
Leandro Donatti Sucursal de Curitiba 
Arquivo FolhaArrumando as malasRafael Greca: Se o mundo está indo para a direita, nós também podemos irO secretário do Planejamento e ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PDT), que saiu ileso da crise política vivida pelo governador Jaime Lerner desde a novela que envolveu tentativas frustradas de ingresso no PSDB até a decisão do Senado que paralisou os empréstimos do Paraná, pode ficar engessado com a reforma administrativa. Cotadíssimo para assumir a Casa Civil, Greca faz parte dos planos do Palácio Iguaçu de evitar concorrentes em 98. O governador pretende mantê-lo sob os seus domínios para evitar que as viagens de Greca ao interior fortaleçam ainda mais a sua intenção de candidatar-se no ano que vem.
Em nenhum momento Greca saiu em defesa do governador ou integrou a linha de frente das articulações pela troca partidária. Pelo contrário, aproveitou-se dos momentos difíceis e da crise interna para intensificar seus contatos, chegando a arriscar algumas críticas contra o governo estadual. Nem mesmo com a emenda da reeleição - aprovada agora pelo Senado e que garante o direito de Lerner concorrer novamente ao Palácio Iguaçu em 98 - fez Greca desistir de seu sonho de disputar o governo no próximo ano.
Diferentemente do governador - que há cerca de dez dias garantiu a Leonel Brizola a permanência no PDT -, o caminho partidário do novo chefe da Casa Civil já estaria traçado. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PTB) é um dos que diz que o namoro de Greca com o PFL está bastante avançado. Quando veio ao Paraná, no último dia 12, o embaixador do Brasil em Portugal e líder-mor do PFL, Jorge Bornhausen, também assegurou a filiação de Greca em seu partido e estendeu o tapete vermelho.
Greca não confirma nem desmente. Confessa que há uma tendência de filiar-se a um partido de direita e que a preferência recai sobre o PFL. É uma direita confessa e competente, e não é como o PSDB, uma direita escondida sob o manto da esquerda. Se o mundo está indo para a direita nós também poderemos ir, sinaliza o ex-prefeito, avisando que jamais perderá a alma trabalhista que adquiriu no PDT.
O ex-prefeito não acredita que o novo cargo no governo possa engessá-lo. Convicto de que não ficará sem mandato no ano que vem, Greca diz que não dá para desprezar a densidade política de um prefeito que saiu com 90% de índices de popularidade. Para buscar o meu caminho político não preciso de nenhum cargo no governo, emenda.
Mais espaçoA leitura que se faz é de que no PFL, Greca teria mais espaço político que no PDT. Com condições de até forçar o partido a lançá-lo como candidato próprio em 98, já que Lerner tem resistido à filiação nesta sigla. O PFL garantiria, no mínimo - em caso de manutenção da aliança de 94 - a indicação de Greca para vice-governador ou o candidato do partido ao Senado.
Greca está trabalhando seu nome por fora. O escritório do governo instalado em Brasília já estaria sendo usado politicamente por ele.
Exemplo foi a acalorada discussão com a bancada federal, há cerca de um mês e meio, quando Greca reclamou das poucas chances de ser o candidato do PDT ao governo em 98. No jantar com deputados, em Brasília, Greca confessou disposição de bater chapa com Cássio Taniguchi à Prefeitura de Curitiba, na eleição do ano 2000, caso visse inviabilizado seu projeto de garantir uma eleição majoritária.


