Greca aponta irregularidade em eixo metropolitano
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nem bem começaram os trabalhos da Comissão Especial de Investigação (CEI) do Eixo Metropolitano de Curitiba e o deputado estadual Rafael Greca (PMDB) já iniciou a carga contra a administração do prefeito Cassio Taniguchi (PFL). Greca, que é vice-presidente da CEI e pré-candidato do PMDB à prefeitura da capital, divulgou ontem documentos com suspostas irregularidades no projeto do eixo, que segundo as previsões da prefeitura irá ligar o Pinheirinho ao centro da cidade pela área ocupada pela BR-476, antiga BR-116.
A principal suspeita levantada por Greca foi a incompetência dos arquitetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) para realizar o projeto, orçado em US$ 133 milhões. ''Os documentos mostram que em apenas dois meses (setembro a novembro de 2003) arquitetos do Ippuc sem atribuição profissional para fazer serviços de engenharia como terraplenagem e drenagem montaram os projetos do eixo. Isso só é possível se o Espírito Santo baixou neles'', acusa Greca. Além dos arquitetos do Ippuc, um dos projetos é assinado pelo próprio Cassio Taniguchi, que é engenheiro aeronáutico e já foi presidente do Ippuc.
Greca destacou que o projeto para um sistema de transporte de alta capacidade já havia sido desenvolvido pelo consórcio de empresas Vega/Dalcon/TCBR entre novembro de 2002 e junho de 2003. ''O Diário Oficial publicou que o contrato teve um valor de R$ 5,7 milhões, embora o presidente do Ippuc, Luiz Hayakawa, tenha dito na Assembléia que não havia sido feita licitação para o projeto porque o próprio Ippuc havia assumido o projeto'', afirmou.
Segundo o deputado, a denúncia de que o projeto estaria sendo tocado pelo consórcio de empresas chegou de maneira anônima via Sedex à Assembléia Legislativa. ''Deve ter vindo de dentro da prefeitura. Ela contém plantas e projetos com o carimbo do consórcio Vega/Dalcon/TCBR'', afirmou.
O presidente do Ippuc afirmou ontem que o consórcio de fato participou da elaboração do projeto assinado pelo instituto. ''Nós já havíamos contratado o consórcio para elaborar o projeto em 2002, quando ainda pensávamos em utilizar um elevado ou trens de superfície. No final do ano, que coincidiu com a troca do governo federal, decidimos trocar o projeto para a solução rodoviária, em virtude do cancelamento de financiamentos. Nesse momento, pedimos para o projeto ser alterado para levar em conta a nova solução'', disse Hayakawa.
Segundo ele, a atribuição do Ippuc foi readequar os projetos anteriores. ''Nós teríamos cometido uma irregularidade se após pagarmos o consórcio, jogássemos fora tudo o que já havia sido desenvolvido. Muito pôde ser reaproveitado. Uma ponte por onde passa um trem passa também um biarticulado. Uma estação de passageiros pode servir para os dois tipos de transporte'', destacou.


