Eleito o deputado federal com o maior número de votos da história política do Paraná, superando a marca dos 200 mil votos, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PFL) disse ontem que pretende preparar na Câmara Federal o caminho para ser o sucessor do governador Jaime Lerner (PFL), em 2002. ‘‘Tive uma votação majoritária, não apostaram em mim, tentaram me podar. Agora quero ser candidato ao governo do Paranᒒ, anunciou ontem.
Ele continua ressentido com a decisão do PFL de retirá-lo da disputa pelo Senado para acomodar os interesses do senador eleito do PSDB, Álvaro Dias, num acordo intermediado por Brasília para evitar o confronto direto entre tucanos e pefelistas nas urnas. Greca disse que, agora, passa a ter ‘‘credencial eleitoral’’ para participar das discussões políticas envolvendo o Estado. ‘‘Não só do Estado como de Curitiba também’’, afirmou.
Vereador de Curitiba eleito em 82 com 5 mil votos, duas vezes deputado estadual e prefeito da capital, de 93 a 96, eleito com cerca de 400 mil votos, Greca convive há anos com o grupo político do governador. ‘‘Tenho a intenção de não ser um deputado de lobby de hotel, quero me distinguir discutindo temas maiores’’, disse. ‘‘Entro como prefeito de Curitiba gordo de votos para defender o Real.’’
A disposição de concorrer ao Palácio Iguaçu, formalizada por Greca ontem, é um pontapé inicial para as movimentações na base política que dá sustentação a Lerner. As declarações de Greca vêm um dia depois de setores do PFL defenderem a tese de que o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), deve ser visto como um dos sucessores naturais do governador. ‘‘A votação que fiz é a certeza de que o povo não me esqueceu’’, disse Greca para justificar sua disposição em entrar na briga por espaço político.
Sua votação, que até ontem ainda não estava totalizada, não superava, proporcionalmente ao número de eleitores, a marca de Álvaro Dias (PSDB) e de Antonio Belinati (sem partido), conquistadas em 74, e a de Maurício Fruet (PMDB), obtida em 82. Álvaro elegeu-se deputado com 175 mil votos, cerca de 9% dos 2 milhões de votos do eleitorado. Belinati, que também elegeu-se deputado pelo antigo MDB, fez cerca de 150 mil do total. O recordista até agora é Maurício Fruet, recentemente falecido.

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