O secretário de Comunicação Social do Estado, Rafael Greca, admitiu ontem que o governo pode desistir de vender a Companhia Paranaense de Energia (Copel). E anunciou que no próximo mês as empresas de consultoria contratadas para fazer a avaliação e modelagem de venda da Copel (as ''advisers'') devem apresentar uma nova proposta ao governo do Estado. ''O governador Jaime Lerner se reserva o direito de não acatá-las'', garantiu. O governo tentou por duas vezes realizar o leilão da estatal, mas não obteve sucesso.

Greca lembrou o fracasso do governo de Alagoas, que também quis vender sua empresa de energia, e enumerou três razões para uma possível desistência do Palácio Iguaçu. A primeira se deve ao cenário internacional, que teve a economia afetada após os ataques terroristas aos Estados Unidos, em 11 de setembro. A indefinição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto à regulamentação do setor elétrico foi outro fator.

Por último, o secretário atribuiu o temor do mercado às declarações do candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem prometido reestatizar o setor elétrico, caso vença as eleições em 2002. As declarações do secretário foram dadas ontem, durante o programa Canal Exclusivo, que foi ao ar pela TV Exclusiva.

Greca confirmou sua disposição de disputar a sucessão de Lerner caso tenha o apoio do governador e do seu partido, o PFL. Mas admitiu que seu nome está mal colocado na preferência do eleitorado. E revelou que depois do término do seu mandato como deputado federal pretende voltar ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc), para disputar posteriormente a prefeitura. Ele descartou a possibilidade de concorrer à reeleição ou a uma cadeira na Assembléia Legislativa.

O ex-ministro do Esporte e do Turismo desmentiu um possível reedição da aliança entre o grupo lernerista e o senador Alvaro Dias (PDT) para a sucessão no Executivo. ''Eu imagino que com o senador Alvaro Dias, de novo, não. Nós não vemos a história repetida, a não ser como tragédia'', disse. Mas acena com a hipótese de composição com o PSDB, PPB e com o PTB.

Greca admitiu ainda o enfraquecimento numérico da base de deputados aliados ao governo na Assembléia, mas negou a articulação política com o Legislativo. Há um ano, o governo contava com cerca de 40 aliados entre os 54 deputados. Hoje, a base aliada soma aproximadamente 30 parlamentares.

Durante a entrevista, o secretário traçou um panorama otimista da administração estadual, salientando que o governo cumpriu as metas impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas não foi convincente ao explicar o aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), aprovado pela Assembléia e que passará a vigorar a partir de 2002.

Na opinião de Greca, o aumento de 17% para 18% do ICMS, que vai abranger cerca de 90% dos produtos e serviços comercializados no Estado, é necessário para que o governo possa dar aumento salarial ao funcionalismo público em 2002.

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