Grávida diz que depôs sob coação
Depois de depor por quase três horas anteontem à noite, no Grupo Força Especial de Repressão Antitóxicos (Fera), e confirmar o envolvimento de policiais com o narcotráfico, Milene Ceranato da Cruz, de 23 anos, denunciou os investigadores e delegados do Fera por abuso de autoridade e afirmou ter prestado depoimento sob coação. Segundo ela, no final da manhã de sexta-feira, seis investigadores teriam invadido sua residência, em Santa Felicidade. Eles teriam lhe colocado algemas e forçado Milene a acompanhá-los à delegacia. ‘‘Fui algemada com as mãos para trás e tenho testemunhas’’, afirmou Milene, que está grávida de sete meses.
Milene foi acusada por traficantes, na CPI do Narcotráfico, em Curitiba, de ser usada por policiais civis como isca para extorsão. Entre os policiais estariam o ex-namorado dela, Reginaldo Moreira, o investigador Marco Antônio Germano, o superintendente Paulo César Rodrigues e o delegado Kioshi Hattanda.
Em entrevista por telefone à Folha, Milene parecia estar recebendo orientações para as respostas. Em alguns momentos, chegou a repetir as palavras ditas pela advogada Débora Albuquerque – que estava ao seu lado. A advogada também defende Moreira. ‘‘Agora eu quero Justiça’’, esbravejava Milene, sugerindo o afastamento dos delegados do Fera Adauto de Oliveira e Leila Bertolini.
A advogada, que já pediu exame de lesões corporais em Milene, promete acionar os responsáveis pelo suposto abuso. ‘‘Fui à delegacia quando soube do depoimento de Milene, mas fui impedida de subir’’, reclama.
A delegada Leila negou as acusações. ‘‘Tínhamos mandado de intimação. Ela foi trazida voluntariamente’’. Leila conta que Milene relatou tudo o que sabia sobre o envolvimento de policiais e delegados no tráfico e chegou a descrever a casa de todos eles. O promotor Vani Bueno também negou coação durante o depoimento de Milene. ‘‘Ela contou toda a história volutariamente’’. (L.P.)