Gravações revelam pavor geral com a Lava Jato
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sábado, 28 de maio de 2016
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Sem foro privilegiado e com medo de ser preso pela Operação Lava Jato, o ex-senador e ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, Sérgio Machado (PMDB-CE, usou o seu trânsito fácil pelos gabinetes de Brasília (DF) e o seu gravador para preparar e registrar conversas com caciques como o ex-presidente José Sarney (PMDB-MA), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-ministro Romero Jucá (PMDB-RR), para ter algo a oferecer ao Ministério Público Federal (MPF). Envolvido na corrupção, Machado teve a delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Antes disso, Jucá já havia caído, deixando o Ministério do Planejamento.
Nos diálogos são reveladas as tentativas de articulação para frear a investigação. A Lava Jato abalou o núcleo duro do PT, até então, no foco do noticiário, especialmente por ter ocupado o comando do governo federal. Agora, porém, a posição de destaque é do PMDB, que se especializou em fazer pressão sobre governos para ocupar espaços importantes no poder, aliando-se a Fernando Collor (PRB), passando por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT).
Na condição de vidraça, desde que assumiu interinamente a Presidência da República após o afastamento de Dilma Rousseff (PT), o PMDB leva as primeiras pedradas. São grandes e vêm de dentro, do correligionário Machado. De acordo com o analista político, Elve Cenci, "isso (conflito interno) é o PMDB". Cenci acredita que as conversas registradas e transcritas vão enfraquecer o partido e os líderes, momentaneamente. "Vão recuar um pouco, mas não devem perder o poder que têm na política nacional. Renan e Jucá são exemplos dessa reviravolta, pois já estiveram envolvido em situações graves antes."
De acordo com o analista, o foro privilegiado transfere ao STF a responsabilidade de dar uma resposta à sociedade sobre a participação dos políticos na corrupção. "Cabe ao Supremo fazer a sua parte, com rapidez, como aconteceu no escândalo do mensalão com o PT. Mas até agora, o que vimos foi o ministro Gilmar (Mendes) devolver pedidos de investigação contra o Aécio Neves (PSDB)", comparou Cenci. Por duas vezes, Mendes pediu complementação de informações à Procuradoria-Geral da República (PGR) no pedido de abertura de inquérito contra o tucano, citado na delação do ex-senador Delcídio do Amaral. "Contudo, além do STF, depende também dos eleitores, afinal todos esses parlamentares receberam votos para chegar ao cargo."
FLAGRANTE PREPARADO
O deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, reconheceu que a situação do partido "incomoda bastante". "Principalmente, neste momento em que o governo precisa conquistar a confiança da população", afirmou.
Sobre a estratégia de Sérgio Machado, Serraglio disse que o colega de partido "fez o que a gente chama em direito de flagrante preparado, incentivando a conversa com o interlocutor, tanto que em alguns diálogos, você pode perceber que o Renan apenas repete as expressões usadas (por Machado)".
Apesar do teor das conversas, que demonstram a preocupação com o avanço da Operação Lava Jato, o deputado paranaense minimizou. "Mas também, qual desses, Renan, Jucá e Sarney, que já não estava na berlinda?" Para Serraglio, não há articulação contra a Lava Jato. "Nem acho que isso seja possível, pois a operação já é um patrimônio."
A reportagem não conseguiu falar com os demais integrantes do PMDB na bancada paranaense no Congresso.


