Gravação tenta inocentar padre-prefeito
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de agosto de 2001
Dimitri do Valle<BR>De Curitiba 
Uma fita de vídeo é a nova arma da defesa do prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), para tentar derrubar a versão que envolve o prefeito em dois assassinatos na cidade.
A fita, gravada por um radialista, indica que o lavrador Cícero de Almeida Pedroso, de 35 anos, que antes havia declarado à polícia reconhecer Adelino numa foto, agora aponta o contrário: que ele não viu o padre-prefeito dentro de um veículo numa conversa com o ex-sargento da PM José Lucas Gomes réu confesso nas execuções em Corumbataí do Sul, município da região de Campo Mourão, alguns dias antes das mortes.
Gomes, que mora em Corumbataí, era amigo do lavrador. Pedroso trabalha numa fazenda em Luiziana (também na região) e está relacionado ao rumoroso caso como testemunha de acusação.
Na gravação, Pedroso, sem saber que a câmera estava ligada, diz que não viu o padre na suposta conversa com o pistoleiro. No dia 7 de março, Pedroso depôs na Delegacia de Corumbataí do Sul, onde reconheceu Adelino por meio de uma fotografia, como o homem que se encontrou com o ex-sargento. O declarante afirma sem sombra de dúvida, de que se trata da mesma pessoa que estava no veículo de cor cinza, falando ao telefone celular, registra o boletim de ocorrência.
Mas na Vara Criminal de Corumbataí, em depoimento no dia 8 de junho, o lavrador aparentou não ter a mesma certeza. Na declaração, ele diz que a pessoa no interior do veículo era muito parecida com a pessoa desse padre cuja fotografia lhe foi mostrada; que, entretanto, não pode afirmar com absoluta certeza que seja a mesma pessoa.
O lavrador mencionou ainda que a pessoa que conversou com o ex-sargento falava ao celular. Está mais do que caracterizado que essa testemunha foi industriada para incriminar o padre, diz o advogado de defesa, Cláudio Dalledone Júnior, que afirma ainda ter consultando as duas operadores de telefonia celular no Estado e ambas confirmaram que não existe sinal que possa fazer os celulares funcionarem em Corumbataí.
Pedroso afirma também na gravação que a mulher de Gomes, Maria Aparecida Tonhato Gomes, chegou a procurá-lo para pedir que fosse à polícia dizer que tinha visto o marido com o padre. Aí a mulher falou assim: não, tem uma pessoa que foi embora que pode provar que viu fulano de tal..., afirma o lavrador na fita obtida pela Folha. Acusando o padre, a esposa do José Lucas achava que iria diminuir a culpa do marido. Já perante o juiz, ela apresentou um depoimento completamente diferente, diz Dalledone Júnior.
Maria Aparecida disse em juízo que o marido apenas se encontrou, no dia 17 de fevereiro, 11 dias antes dos assassinatos em Mariluz, com o então secretário municipal de Ação Social de Mariluz, Elcio de Farias, que também está preso. Elcio é acusado pela defesa de Adelino de ter interesse na morte de uma das vítimas, que seria contra sua permanência na administração de Mariluz. Ele nega e diz que o padre-prefeito é o responsável.


