Brasília - A descoberta de gravações ligando Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao esquema irregular de jogos de azar investigado pela Operação Xeque-Mate, pode acelerar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar jogos ilegais no País.
Autor do pedido de instalação dessa CPI, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse ontem que a ligação de Vavá com donos de casas de caça-níquel, apontada por gravações feitas pela Polícia Federal, reforça a necessidade de levar a investigação adiante.
Sampaio disse que começou a colher assinaturas para a CPI logo que foi deflagrada a Operação Xeque-Mate. ''Foi um trabalho silencioso, com base em fatos concretos'', argumenta o deputado, que faz oposição ao governo federal.
Além de apurar a participação de Vavá no esquema, a investigação - chamada de CPI dos jogos ilícitos - também vai apurar a proximidade de integrantes do Judiciário com as quadrilhas de jogos.
Para Sampaio, a atuação de Vavá é o segundo caso em que parentes de Lula se valem do prestígio em proveito próprio. ''O primeiro foi o Lulinha (Fábio Luiz da Silva, filho do presidente), favorecido por recursos de uma concessionária pública.'' A repetição do fato, acredita Sampaio, mostra que ''Lula se cerca de pessoas, no relacionamento político e familiar, que só ajudam a desonrar sua biografia.''
Segundo Sampaio, o pior de tudo é que o presidente ''nunca sabe de nada''. ''Virou até motivo de chacota, ele é sempre o último a saber, embora se trate de pessoas que estão a seu lado'', disse.
ara o líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino Maia (RN), a atuação de Vavá com os caça-níqueis tem explicação. ''Houve a primeira denúncia, dando conta que ele fazia tráfico de influência. Como ninguém fez nada, a impunidade lhe deu desenvoltura para agir'', avalia.
Da parte dos aliados do presidente, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), afirma que não resta na denúncia contra Vavá nenhum tipo de crítica à postura de Lula. E considera ''inócua'' e ''fora de foco'' a iniciativa de criar outra comissão para aprofundar as conclusões da Polícia Federal na Operação xeque-mate.
''O presidente foi muito claro ao frisar que tudo deveria ser investigado'', ressalva. ''O fato de parentes do presidente, de governadores, serem procurados por dezenas de pessoas não é bom que ocorra, mas infelizmente ocorre. Mas o presidente Lula e o governo não podem controlar o que Vavá e outros parentes falam'', insiste.

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