Gravação envolve ministro Sérgio Motta
Gravação envolve ministro Sérgio Motta
Deputado João Maia sugere que Serjão é quem iria liberar o dinheiro
Novas gravações obtidas pela Folha de São Paulo e divulgadas ontem ligam o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, à compra de votos a favor da emenda da reeleição e revelam como o deputado João Maia (PFL-AC) vendeu seu voto em favor da emenda. Ele relata que na barganha previa receber R$ 200 mil do governo federal e outros R$ 200 mil do governo do Estado do Acre.
Senhor X -O Orleir queria ganhar prestígio perante o Planalto no episódio da reeleição. Por isso fez do jeito que fez.
João Maia -Claro, claro, Ele, ele...nós juntos com o Amazonino...E o cara bravo. Não sabia nem quem era o Amazonino. Ou uma coisa aí, do próprio Serjão aí, quem sabe, ia dar um respaldozinho também para a gente.
O deputado deixou claro que os deputados do Acre esperavam receber dois pagamentos pela reeleição. Um do governador do Acre, Orleir Cameli, e outro do governo federal. Em um trecho da conversa, João Maia afirma que o dinheiro recebido pelos parlamentares do Acre, embora entregue por Cameli, foi providenciado por Amazonino Mendes e por Sérgio Motta:
Senhor X -Aquele cheque vocês devolveram?
João Maia -É, mas ele, ele, ele cobriu, né?
Senhor X - Ele (Orleir) cobriu?
João Maia -Cobriu. No meu caso, pelo menos, ele cobriu.
Senhor X -Ele cobriu? Mas acho que ele deu uma enroladinha em alguém por aí, não deu não?
João Maia - Enrolou nós mesmos porque aquele dinheiro era o dinheiro do Amazonino. Que o Amazonino mandou trazer, por ordem do...do...menino aqui, do Serjão. Ele pegou emprestado do Amazonino e cobriu o cheque.
Senhor X - Ah, foi?
João Maia -Esse dinheiro seria um outro apoiamento a (sic) nível federal, sabe? Porque aquilo ali, o Orleir é vivo também, né? Ele não é besta. Sabia que tudo estava reservado. E já estava o dinheiro aí, o dinheiro e coisa. E daí que chegou o Orleir andou sabendo e, quer dizer: Não admito isso, não sei o que. Mas o Amazonino, disse, olha: Ficou mais fácil para ele. Pegou e emprestou o dinheiro para o Orleir, ele cobriu o cheque...
A Folha de São Paulo diz que para entender a venda de votos pela reeleição é necessário saber que alguns cheques foram emitidos e depois rasgados. Numa conversa de Ronivon Santiago com o senhor X, o deputado explicou que os cheques foram emitidos por Eládio Cameli, irmão do governador do Acre. João Maia deu detalhes de como era realizada a abordagem - iniciada pelo deputado Pauderney Avelino, na época do PPB-AM e hoje com entrada anunciada no PFL. Se houvesse interesse do parlamentar em negociar seu voto, o passo seguinte era contatar o então presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), que agendava um encontro do deputado interessado com o ministro Sérgio Motta. De Motta, o parlamentar era encaminhado ao governador do Amazonas, Amazonino Mendes, que coordenava a votação da reeleição junto aos deputados da região Norte:
Senhor X -O Orleir se sentiu ferido com o Amazonino estar em Brasília coordenando o voto de vocês?
João Maia -É. E coincidiu que exatamente ele estava...Tinha saído lá e estava lá no...conversando com o Amazonino. E já tinha sido o Sérgio Motta - isso aí aqui na Presidência. Luís Eduardo vai falar com o Sérgio Motta, Sérgio Motta fala com o Amazonino, só que seria um troço..., quer dizer, não teria nada a ver com Orleir pagar os atrasados dele. O filho da puta! Quer dizer né? Também o Amazonino acabou entregando e participando, eu sei, ele, Pauderney, que é outro sacana, aí. Esse dinheiro era para o Orleir ter que pagar as dívidas dele atrasadas, você entendeu? Mais esse, Serjão e Amazonino.
Senhor X - De onde veio esse dinheiro para pagar aos votos da reeleição?
João Maia -O dinheiro, no dia seguinte, era um dinheiro que o Amazonino tinha mandado trazer. Esse era um dinheiro que nós íamos receber da cota federal, digamos, do negócio.
Senhor X -Ah, era assim?
João Maia -A gente queria barganhar que o Orleir deveria pagar os atrasados desse troço. E que esse dinheiro do Amazonino era o dinheiro que já estava aí. Você entendeu? Que o Serjão já tinha acertado. Mas, como ele soube, quer dizer, acabou pegando o dinheiro do Amazonino para pagar o cheque dele. Quer dizer, no fundo, a gente dançou em 200 paus nessa brincadeira.
No próximo trecho, o Senhor X insiste, agora, com o deputado Ronivon Santiago, sobre a origem dos R$ 200 mil. Assim como João Maria, Ronivon identificou o dinheiro como um pagamento realizado por Amazonino Mendes. Mas ressalta que veio do outro lado. Ronivon diz achar que esse outro lado é o ministro Sérgio Motta.
Senhor X -Onde é que Orleir pegou os R$ 200 mil para os deputados federais?
Ronivon Santiago -Ah, ele não tinha, não.
Senhor X -Hein?
Ronivon Santiago -O dinheiro não foi dele não, ué. Foi dinheiro que veio do outro lado.
Senhor X -Você acha que veio de onde?
Ronivon Santiago - Amazonino...
Senhor X -Hein?
Ronivon Santiago -Mandou... mas quem deu foi o Sérgio Motta ao Amazonino, parece.
Senhor X -Foi quem?
Ronivon Santiago -Sérgio Motta, eu acho, sei lá.
Senhor X - Rapaz...
Ronivon Santiago - Eu tô sabendo que aquele negócio ali foi muita gente. Todo mundo pegou na faixa de 200, 300...Todo mundo pegou...Teve gente que negociou pagamento de banco, negociou todo deputado aí...Todo mundo.
Senhor X - Todo mundo?
Ronivon Santiago -É uma barbárie isso aí.
Senhor X -E os governadores negociaram os bolões?
Ronivon Santiago - Eram.
Senhor X -Liberações altas?
Ronivon Santiago -Era deputado toda hora ligando, era senador ligando, era ministro ligando, era num sei o quê pedindo para conversar qual era o problema. Hein? Todo mundo tinha os seus problemas...





