Poleto ouviu a gravação com ar assustado, quase escondido atrás da bancada, e sem saber o que fazer ao final. Sempre orientado pelo advogado Cristiano Ávila Maronna, optou por sustentar a mesma tese do início do depoimento: a de que não se lembrava de ter gravado a entrevista porque estava bêbado. Segundo reportagem da revista ‘‘Veja’’, Poleto transportou US$ 3 milhões enviados por Cuba para a campanha de Lula, por meio do diplomata cubano Sergio Cervantes.
  Aos senadores, o economista confirmou que transportou três caixas de uísque Johnny Walker ‘‘hermeticamente fechadas’’ de Brasília para São Paulo. Assegurou, porém, que, embora não tivesse visto o conteúdo, tinha certeza que eram garrafas e não notas de dinheiro. ‘‘Eu sabia a priori que era bebida porque o Ralf Barquete me disse’’, declarou.
  Poleto insinuou que Policarpo Junior ameaçou publicar informações sobre sua ‘‘vida pessoal, familiar, íntima’’ se o economista não desse entrevista. Os dois conversaram na noite de 21 de outubro passado, no bar do hotel Plaza Inn de Ribeirão Preto. Segundo Poleto, tomaram ‘‘muitos chopes’’.
  O senador Demóstenes Torres rejeitou a desculpa do excesso de bebida. ‘‘A tese da embriaguez é juridicamente ridícula. Trata-se de embriaguez voluntária. Nem o jornalista abriu sua boca a o obrigou a beber nem Vossa Senhoria caiu em um tonel de cachaça’’, disse o senador.
  Na entrevista gravada, Poleto diz que o plano inicial de o avião pousar em Congonhas foi modificado por causa do mau tempo. Barquete, segundo Poleto, foi até o aeroporto de Amarais, pegou as caixas e levou de carro para São Paulo.
  Mesmo depois de ouvir sua própria voz confirmando que soube por Barquete que tinha transportado dólares como se fossem garrafas de uísque, Vladimir Poleto insistiu na versão inicial. (A.E.)

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