Curitiba - Das vinte maiores cidades do Paraná, 16 prefeituras gastaram mais com publicidade institucional no primeiro semestre deste ano que a metade da rubrica destinada a essa despesa no ano anterior. Em Paranavaí, por exemplo, já foram gastos R$ 973 mil com divulgação em seis meses, quase o mesmo valor para todo o ano de 2011, quando a prefeitura reservou R$ 1,074 milhão para essa atividade. Na cidade, a despesa tem subido gradativamente desde 2009, quando foi de somente R$ 816 mil.
Também é o caso de Cambé, por exemplo, que no primeiro semestre gastou R$ 236 mil com divulgação, equivalente a 85% de toda essa despesa em 2011, quando chegou a R$ 275 mil. Se considerar julho e agosto, quando mais R$ 31 mil foram empenhados, Cambé já executou nos oito primeiros meses do ano quase o montante integral dispendido no exercício anterior. Isto contradiz um sucessivo corte nessa despesa, que caiu de R$ 621 mil em 2009 para R$ 407 mil no ano seguinte. Ano passado novo corte havia reduzido para R$ 275 mil o dinheiro público gasto com publicidade.
Os dados foram disponibilizados ontem pelo Tribunal de Contas (TC) do Estado, numa parceria com o Ministério Público Eleitoral (MPE). ''Os relatórios vão auxiliar nas investigações da Justiça Eleitoral sobre eventual uso irregular de recursos públicos com a finalidade de beneficiar candidatos na eleição municipal do próximo domingo'', alega o presidente do TC, conselheiro Fernando Guimarães. Ele argumenta que o objetivo é evitar o uso de recursos públicos na compra de votos ou em publicidade com fins eleitoreiros.
Semelhante a Paranavaí e Cambé, os municípios de Guarapuava, Foz do Iguaçu, Apucarana, Campo Mourão, Curitiba, Colombo, Umuarama e Toledo apresentaram gastos no início deste ano superiores a 70% de toda a despesa com publicidade registrada no ano anterior. Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, São José dos Pinhais, Pinhais e Campo Largo ficaram com despesas de 50% a 70% superiores às registradas em 2011.
Dos 20 maiores colégios eleitorais do Paraná, apenas quatro cidades gastaram menos com publicidade neste primeiro semestre que no mesmo período do ano passado. Paranaguá, por exemplo, só executou R$ 22 mil em janeiro, correspondente a 1,1% do R$ 1,9 milhão gasto em 2011. Araucária usou R$ 541 mil em publicidade, Arapongas R$ 382 mil. Nos dois casos a cifra não chegou a 40% do valor gasto no ano anterior.
A quarta cidade nesta categoria é Londrina, com apenas R$ 63 mil registrados nesta despesa em 2012. O número indica uma brusca redução no gasto com publicidade no município, após dois aumentos consecutivos. Em 2010, o gasto passou de R$ 316 mil para R$ 457 mil do orçamento. No ano seguinte, pulou para R$ 942 mil, o dobro do exercício anterior. O salto aconteceu no mês de novembro de 2011, quando foram empenhados R$ 600 mil para a Engenho Propaganda S/C Ltda. Sob a mesma rubrica, de ''publicidade de serviços, obras e campanhas'', foram feitos seis pagamentos de R$ 100 mil cada.
Londrina
Os gastos com gasolina da Prefeitura de Londrina também subiram em 2011, chegando a R$ 2,6 milhões. O valor é quase o dobro do gasto no ano anterior, quando a administração utilizou R$ 1,4 milhão para abastecer a frota. Neste ano, diferente da despesa com publicidade, não houve redução significativa. Pelo contrário, somente nos seis primeiros meses foram gastos R$ 1,7 milhão, o equivalente a 67% do executado em todo o ano anterior.
Nos últimos anos, a quantia gasta com ''auxílio financeiro a pessoas físicas'' caiu vertiginosamente, de R$ 11 milhões em 2009 a R$ 3 milhões em 2011. No primeiro semestre, os cofres públicos despenderam R$ 1,9 milhão com a rubrica, distribuídos uniformemente entre os seis meses. Ao mesmo tempo, os gastos com ''material, bem ou serviço para distribuição gratuita'' foram de humildes R$ 4 mil em 2009 para R$ 154 mil dois anos depois. Neste ano, com R$ 133 mil empenhados, o gasto vai superar facilmente a marca recorde de 2011.
Outra despesa que aumentou significativamente em três anos foram os gastos com ''gêneros alimentícios para Copa e Cantina'', que subiu de R$ 62 mil em 2009 para R$ 277 mil no ano seguinte. Em 2011, recuou para R$ 218 mil. Nos primeiros seis meses desse ano manteve o ritmo de desembolso do período anterior, com R$ 95 mil já empenhados. Com oscilação menos gritante, as despesas com ''assistência social'' em Londrina subiram de R$ 24 milhões em 2009 para R$ 33 milhões em 2011, com R$ 18 milhões gastos neste ano com essa rubrica.

mockup