Arquivo FolhaBancos na miraRoberto Requião: ‘dinheiro pago a mais volta é para o bolso do administrador’Os grandes bancos e fundos de pensão que compraram títulos públicos destinados ao pagamento de precatórios fora dos leilões feitos pelos estados e municípios emissores, deverão ser o próximo alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga as irregularidades na emissão destes papéis. Também deverão ser convidados a depor, na última etapa da CPI, os prefeitos e governadores responsáveis pelas emissões irregulares e citados no relatório parcial que será elaborado pelo relator, Roberto Requião (PMDB-PR). ‘‘Quem discordar do relatório preliminar, poderá comparecer para dar seus esclarecimentos’’, disse Requião.
A sessão foi suspensa às 0h20 de ontem, após ser ouvido Ronaldo Ganon, sócio do Banco Vetor. Após a inquirição, Ganon foi acareado com o ex-coordenador da Dívida Pública do Município de São Paulo, Wagner Baptista Ramos. Às 10h de ontem a sessão seria retomada, com os depoimentos de Genival de Almeida e Galdino de Farias Alvim Neto, diretores do Banco Maxi-Divisa. Ambos serão acareados também com Ramos.
Ganon afirmou à CPI que é comum as grandes instituições usarem pequenas corretoras para fazerem compras de papéis nos lançamentos primários. ‘‘Infelizmente isto acontece com frequência, e não é só com precatórios’’, observou Ganon. Ele próprio já ouviu várias recusas de bancos e fundos em comprar títulos que estava colocando, e soube depois que essas mesmas instituições haviam feito a compra por meio de intermediários, por um custo maior.
Ele confirmou o depoimento feito na semana passada por seu sócio, Fábio Nahoum, reafirmando a acusação de que os R$ 36 milhões pagos à Corretora Perfil foram destinados a Wagner Ramos. Este voltou a negar o recebimento do dinheiro. O senador Esperidião Amim (PPB-SC) disse que vai estudar o código de defesa do consumidor para permitir que os administradores dos fundos de pensão e de investimentos sejam acionados pelos prejuízos causados por essas operações. ‘‘Esse dinheiro pago a mais volta é pro bolso do administrador’’, acusou Requião.
A CPI, que deverá voltar a ouvir depoimentos só após a Semana Santa, aprovou ontem a abertura do sigilo bancário das contas CC5 (contas no Brasil de pessoas não-residentes no País) das pessoas que já estejam com o sigilo quebrado para as contas normais. Também foi requerida a quebra do sigilo bancário de Fábio Barreto Nahoum, Fausto Solano Pereira e Wagner Baptista Ramos.
Foi aprovado ainda a quebra dos sigilos bancário, telefônico e contábil das pessoas físicas e jurídicas que receberam, por intermédio da Corretora Perfil, os cheques emitidos pelas empresas Tradetronic eletrônica, SMJT Assessoria Empresarial e Ianes Participações. Outro requerimento determinou uma auditoria no Banco Boa Vista, para examinar a situação financeira do Banco em 1995, e os benefícios obtidos nas operações com o vetor.
Por fim, a CPI determinou a convocação de Enrico Picciotto e Sérgio Chiamarelli Júnior (diretores da Split DTVM); Dalva Gonçalves de Carvalho, Alex Sandro Sá Teles dos Santos e Sandro Luís Cipriano (secretária e contínuos da Split); Ibrahim Borges Filho (proprietário da IBF Factoring); Sérgio Mounib Derneka e José Tércio (da SMJT Assessoria Empresarial); Fábio Pazzanese Filho, José Luiz da Cunha Priolli e Ricardo Priolli da Cunha (da Negocial DTVM); e Wagner Baptista Ramos. Todos serão acareados entre si.

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