Brasília- Os grampos ilegais realizados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia não tinham como alvo apenas políticos ou a ex-namorada do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Um depoimento colhido na semana passada por investigadores que atuam no caso mostra que a polícia baiana teria forjado inquérito e enganado uma juíza para obter uma ordem de escuta telefônica, simplesmente para apurar um suposto adultério. E tudo teria acontecido com o conhecimento da ex-secretária de Segurança Kátia Alves, indicada para o cargo por ACM.
Uma das vítimas dos arapongas da polícia baiana foi o pequeno empresário J.R.A.M, que teve seus dois telefones e de quase toda a família grampeados, depois que foi levantada a suspeita de que ele tinha um relacionamento com a ex-mulher de um empresário influente em Salvador.
O pequeno empresário foi acusado de diversos crimes, como formação de quadrilha, extorsão e estelionato, motivo pelo qual a polícia abriu inquérito. No entanto, nos diversos interrogatórios, feitos pelo delegado Valdir Barbosa - já indiciado como principal suspeito dos grampos em torno dos políticos - as únicas perguntas eram relacionadas à suposta relação do pequeno empresário e a mulher.
A ordem para a abertura do inquérito teria partido de Kátia Alves, apesar de ser uma investigação comum, e foi comandada por Barbosa, assessor especial da secretaria, e que atuava apenas em casos de grande repercussão.

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